
AI Overviews cortam CTR em 23,1% em estudo com quase mil domínios na França
O estudo
Em 22 de julho de 2026, a França se tornou um dos últimos grandes mercados de busca a receber os AI Overviews do Google. Como havia uma data de lançamento clara, a Ahrefs conseguiu comparar o antes e o depois sem as confusões habituais de atualizações de algoritmo e sazonalidade. A cientista de dados Xibeijia Guan analisou dados do Google Search Console de 963 domínios (os 1.000 que mais geraram cliques na França entre abril e julho de 2026, menos os com histórico incompleto), comparando 28 dias antes e 9 dias depois do lançamento.
Resultados principais
No painel geral, a taxa de cliques (CTR) caiu 3,4% em nove dias. Mas entre os domínios mais expostos aos AI Overviews - aqueles em que mais de 20% das consultas disparavam o recurso - a queda mediana foi de 23,1%, seis vezes maior. Não se trata de alguns sites puxando a média para baixo: 82,2% dos domínios altamente expostos perderam CTR.
A relação entre exposição e perda é praticamente linear, com inclinação de −0,9: cada ponto percentual adicional de exposição a AI Overviews custa cerca de um ponto de CTR. Se 15% das consultas de um site disparam o recurso, a expectativa é perder cerca de 15% do CTR. Os autores ressaltam que a inclinação não é uma previsão - é um fator de risco, não um veredito; alguns sites muito expostos vão bem, e outros pouco expostos caem por motivos alheios à IA.
Impressões sobem, cliques caem
Quase ninguém perdeu posições no período: as páginas continuam aparecendo, às vezes com mais frequência. Elas simplesmente recebem menos cliques. O padrão repete o estudo global da Ahrefs de fim de 2025 e o fenômeno da "grande dissociação": o AI Overview não remove o site da SERP, ele o torna redundante dentro dela. O caso mais extremo do painel francês registrou +183% de impressões com −1,9% de cliques, dividindo o CTR por mais de três.
O mercado como um todo
A mediana de −23,1% descreve um grupo minoritário de sites. No painel completo, a mediana foi de −5,7% em CTR e −8,8% em cliques. Mas a distribuição é desigual: 48% dos sites perderam mais de 10% dos cliques diários, 19% perderam mais de 30% e 5% perderam mais da metade - em nove dias. Domínios .fr perderam 12,3% dos cliques na mediana, contra 8,8% do painel geral, indicando que sites franceses estão mais expostos que os concorrentes internacionais no mesmo mercado.
Saúde é o setor mais atingido
O setor de saúde apresentou a maior taxa de exposição a AI Overviews (22,2%) e queda de CTR de 20,4%. Consultas de saúde são informacionais, com respostas curtas e sem transação no final - exatamente o que o recurso absorve melhor. Pesquisas anteriores da Ahrefs mostraram que 44,1% das consultas médicas disparam um AI Overview. O fator decisivo, segundo o estudo, não é o setor vertical, mas a intenção por trás da consulta: perguntas que um parágrafo responde tendem a ser perdidas; consultas que exigem ferramenta, conta, preço, compra ou opinião humana resistem melhor.
A tendência deve piorar
A pesquisa global da Ahrefs acompanhou o efeito ao longo de dois anos: o impacto sobre o CTR da posição 1 passou de −34,5% na primavera de 2025 para −58% no fim de 2025. O efeito não diminui com o tempo, ele aumenta, à medida que os AI Overviews disparam em mais consultas e os usuários se acostumam a não clicar. Hoje, a mediana de exposição entre os domínios franceses é de 5,4%, com 29% acima de 10% - números que só cresceram em todos os mercados desde 2024.
Metodologia e ressalvas
O estudo calculou a média diária de cliques, impressões e CTR de cada domínio nos dois períodos e mediu a taxa de exposição a AI Overviews de cada um. Para isolar o efeito, comparou um grupo altamente exposto (mais de 20% das consultas) a um grupo de controle quase nunca afetado (menos de 2%). O grupo de controle teve alta de 2,3% no CTR no mesmo período, então os sites muito expostos não apenas caíram 23% - também perderam o pequeno ganho geral. Com esse ajuste, o efeito real dos AI Overviews é de −24,8%. A própria Ahrefs planeja reexecutar a análise em uma janela maior.
Conclusões
O estudo deixa três recomendações: medir a própria exposição antes do dano (via filtro de recursos SERP no Site Explorer), parar de se orientar por impressões - que não caíram - e observar os cliques, que é o que foi atingido. As ordens de grandeza convergem com medições de terceiros: Seer Interactive aponta quedas orgânicas de 49,4% a 65,2%, Kevin Indig mais de 50%, Authoritas 47,5%. Ninguém está medindo o contrário. A busca caminha para o modelo zero-click, e a França acabou de entrar nesse movimento.