
Apps antigos podem não ocupar a tela interna do iPhone Duo
Comece reconstruindo o app
A Apple lançou o iPhone Duo, seu primeiro smartphone dobrável. Segundo o artigo de Céss White (Code with Beto, setembro de 2026), o primeiro passo para desenvolvedores não é redesenhar nada, mas reconstruir o app com o Xcode 27.1 e o SDK do iOS 27.1. Apps compilados com SDKs anteriores ao iOS 27.0 podem permanecer confinados a uma faixa estreita da tela interna, deixando muito espaço sem uso. A reconstrução permite que a interface ocupe a tela cheia e dá ao sistema mais margem para adaptar o app ao novo dispositivo. Esse teste inicial pode revelar que o app precisa de menos ajustes do que o esperado.
Deixe o espaço disponível decidir
A tela interna do iPhone Duo abre, dobra, gira e divide espaço com outro app, o que significa que a janela disponível muda constantemente: o usuário pode girar o aparelho, dobrá-lo parcialmente ou abrir o Split View. Um layout fixo em uma largura única rapidamente mostra seus limites. O artigo usa o Mail como exemplo: em telas estreitas, caixa de entrada e mensagem aparecem em sequência; com mais espaço, podem ficar lado a lado, eliminando navegação desnecessária sem mudar o produto.
A recomendação é usar size classes em vez de criar versões separadas para retrato e paisagem: colunas extras aparecem quando há espaço e desaparecem quando não há. Ao ganhar espaço, vale perguntar se partes da experiência que vivem em telas separadas poderiam funcionar juntas, mantendo o produto familiar enquanto o hardware muda ao redor.
Bordas, dobra e componentes do sistema
A câmera e os controles do sistema criam safe-area insets diferentes em cada lado da tela, e esses valores mudam com a rotação. Conteúdo interativo - botões, campos de texto, navegação - deve ficar dentro da safe area, enquanto fundos e elementos visuais podem seguir até a borda física. A Apple oferece APIs de concentricidade, como ConcentricRectangle no SwiftUI e UICornerConfiguration no UIKit, para que a interface acompanhe a curvatura do display.
Com o aparelho parcialmente dobrado, o centro da tela interna se torna uma área onde controles importantes ficam mais difíceis de ver ou tocar. Controles interativos devem ficar longe da dobra quando possível; conteúdo que rola naturalmente, como artigos e listas, pode passar por essa área sem problema. Em muitos casos, um layout responsivo já adapta sem precisar de um design separado para a dobra.
O artigo também recomenda usar componentes do sistema: toolbars e tab bars podem mover-se para o lado da tela em modo largo, preservando espaço vertical; sheets mudam de apresentação conforme o espaço e a pose do aparelho, desviando da dobra quando o telefone está fechado parcialmente. Componentes nativos dão ao iOS informação suficiente para adaptá-los automaticamente.
Teste como as pessoas usam
Por fim, o autor alerta que terminar o visual na tela cheia não encerra o trabalho. O iPhone Duo pode estar aberto, fechado, dobrado, girado ou com o app em Split View, e cada estado pode expor uma suposição diferente do layout: uma sidebar que permanece sem espaço, um botão perto demais da dobra, um layout que cabe mas deixa área vazia enorme.
Para quem usa React Native, o artigo aponta que as APIs nativas do Expo Router e do Expo UI já se adaptam ao iPhone Duo, sem necessidade de detectar a dobra manualmente. A conclusão é que o interessante do iPhone Duo não é que os apps podem ficar mais largos, mas que a quantidade e a forma do espaço mudam continuamente - e o app deve atravessar essas mudanças sem parecer uma versão diferente a cada abertura ou fechamento do aparelho.