stamatios
← Voltar ao feed
Andaime estrutural mantendo paredes recém-construídas alinhadas, metáfora dos frameworks que dão coerência ao código gerado
Dev & Engenharia

Frameworks continuam relevantes no desenvolvimento assistido por IA

resumo de ~3 min

A pergunta no contexto do vibe coding

Brooks Lybrand, que trabalha há três anos em tempo integral com frameworks de código aberto, questiona se, na era da programação agêntica, ainda importa qual framework web se usa - e, sobretudo, se vale a pena criar novos. Ele parte da sabedoria convencional atual: como os modelos de IA ficaram bons (por volta do inverno de 2025-2026) e o código frontend é em grande parte apresentacional, muitos argumentam que não há valor em tentar algo além de React e Next.js, já que os modelos foram treinados com muito mais código React. Ele nota que a equipe do Cursor parece defender que usar React é uma vantagem na era agêntica.

O autor aponta uma contradição lógica central nesse argumento: se os modelos dominam código frontend e ninguém mais se importa com os detalhes, por que usar qualquer framework? Se frameworks não importam, não há razão para usar React; se React ainda é vantajoso, frameworks importam.

O que frameworks realmente oferecem

Para Lybrand, o valor de um framework pode ser resumido em uma frase: frameworks fornecem abstrações, estrutura e restrições para construir um site. React venceu nos anos 2010 pela composição, pela facilidade de integrar em sites existentes, pelo encapsulamento de lógica e marcação em componentes e por um ecossistema robusto - não, como argumenta Guillermo Rauch, por vir com uma biblioteca de componentes; shadcn/ui é o exemplo de algo que prospera sobre o React porque o React é bom.

Ele lembra a afirmação de Ricky Hanlon na React Conf 2024: ou você usa um framework ou constrói um. Trabalhando antes na equipe de plataforma web de uma rede de supermercados do Texas, ele viu isso na prática: o time construiu um meta-framework interno de SSR, que carregava alto custo de manutenção, pouca compreensão entre os engenheiros e acabou substituído por Next.js.

Construir um framework hoje

A parte errada dessa frase hoje, segundo ele, é "construir um framework é difícil". Se você não usa um framework e pede a um LLM para construir um site, o modelo vai criar um framework implícito - abstrações improvisadas, sem limpeza, como ele mesmo fazia nos primeiros projetos, só que mais rápido. Construir um framework "apenas ok" não é difícil; o difícil continua sendo criar abstrações robustas e extensíveis, pois os modelos tendem a contornar as fraquezas com gambiarras que se incorporam ao sistema.

Se você prefere que o agente use React ou Next.js, é porque valoriza algo testado em batalha, bem abstrato, bem documentado, com guardrails, testes e times pensando em segurança - não apenas você e seu agente.

O que ele quer (e não quer) de um framework

Lybrand lista exemplos concretos do que ainda importa na era agêntica:

  • HMR: ajuda a iterar design de interações complexas, mesmo trabalhando com agentes.
  • TypeScript: menos valioso para a descoberta individual de métodos, mas as restrições de tipos e o acesso ao LSP ainda ajudam os LLMs a iterar sem quebrar tudo, especialmente em aplicações complexas e código legado.
  • useEffect: ele se sentia confiante usando-o, mas não confia que modelos o usem bem - o desenvolvimento do Grok Bot, segundo ele, chegou a proibir useEffect.

Ele quer um framework com abstrações alinhadas a primitivas da web, estrutura legível (inclusive para detectar quando os agentes se confundem) e restrições claras: testes, linting e documentação imediata, idealmente no node_modules, para o agente não raspar conselhos ruins da internet.

Conclusão: sim, e novos frameworks também

As guerras de frameworks de 2013-2019 e a era dos meta-frameworks (2020-2024) acabaram, e as pessoas não desejam frameworks como antes - algo que ele considera positivo. Mas algo não precisa estar no centro do hype para importar. Sua resposta é "sim, frameworks importam": a indústria parece pensar assim (senão, por que usar React?), quem não usa um framework acaba gerando um implicitamente, e um framework testado e documentado provavelmente supera o caseiro gerado pelo modelo.

A pergunta final é se novos frameworks importam. Para ele, sim: acha decadente supor que todos os problemas estão resolvidos. Ele quer um framework JavaScript genuinamente full-stack (como Meteor tentou), construído sobre web standards e APIs, que agentes consigam usar facilmente e que produza código que ele consiga entender - "não estou construindo o carro, mas quero abrir o capô e saber o que estou vendo". Ele nota que não há medida empírica confiável de qual framework é melhor para agentes, e que seu gosto subjetivo pesa mais que benchmarks de tokens. A conclusão: só há um jeito de descobrir - construir alguns.