
Marketers confiam mais em relatórios humanos que em IA
Confiança humana supera precisão da máquina
Pesquisa da Adverity mostra que líderes de marketing têm quase o dobro de confiança em relatórios produzidos sem IA do que em relatórios gerados por ela - mesmo que os processos manuais sejam mais propensos a erros. Segundo o levantamento, 64% dos profissionais se sentem confortáveis em compartilhar insights de dados sem IA sem verificações adicionais, contra apenas 35% quando os insights são gerados com IA.
Os números contradizem a suposição comum de que a desconfiança decorre de falhas técnicas: apenas 2% dos fluxos de trabalho assistidos por IA apresentam erros regulares, contra 6% dos processos automatizados e 22% dos relatórios manuais. A maior precisão da IA não se converte em confiança, e a camada extra de revisão humana corrói justamente a velocidade de insights que motivou a adoção da tecnologia.
O problema é o contexto
A principal fonte de cautela é a falta de contexto de negócio, apontada por 39% dos respondentes. Um modelo consegue identificar uma mudança de performance ou sinalizar uma anomalia, mas sem entender como a empresa define suas métricas, o que dirige o desempenho das campanhas e o que os times consideram sucesso, os profissionais precisam conferir se a resposta faz sentido antes de usá-la.
O problema interno se agrava: 94% dos departamentos de marketing admitem não usar consistentemente as mesmas definições de métricas em toda a organização, e 82% relatam que disputas sobre dados atrasaram decisões importantes no último trimestre. Se as próprias pessoas não trabalham com definições compartilhadas, um sistema de IA tem pouca chance de interpretar os dados de forma confiável.
Adoção sem retorno
Essa lacuna entre experimentação e ROI ajuda a explicar por que tantas iniciativas de IA travam cedo. Sem contexto organizacional suficiente, os modelos herdam inconsistências de dados e produzem alucinações com tom autoritativo, forçando verificações manuais. O resultado: apenas 2% das empresas permitem que agentes de IA tomem decisões autônomas de otimização; o restante os confina a tarefas de baixo risco.
Alexander Igelsböck, CEO da Adverity, argumenta que a resposta não é adicionar mais verificações à IA, e sim dar a ela melhores fundamentos: uma camada de conhecimento dedicada que conecte os dados de marketing a regras de negócio, governança e objetivos estratégicos.