
Ilustradora Jenna Arts defende a imperfeição humana na arte
A imperfeição como tema central
A ilustradora Jenna Arts, baseada em Antuérpia, defende que o valor de seu trabalho está justamente naquilo que as imagens geradas por IA não têm: imperfeição, bobagem e humanidade. "É o que nos torna humanos", diz ela. "Não a perfeição, mas as imperfeições, a tolice, a excentricidade, a beleza despercebida, até a beleza na feiúra." O site dela descreve a figura que desenha como "aquela que tropeça, se admira, age de forma um pouco estranha e ao mesmo tempo é completamente comum". Para Jenna, seria elogio se alguém dissesse que seus personagens não são perfeitos.
Ela vê na busca por imperfeição um antídoto ao conteúdo gerado por IA - tema que, segundo a entrevista, aparece cada vez mais no setor criativo. Sobre a tecnologia, ela questiona: "Não entendo por que alguém preferiria uma ilustração gerada a uma feita por humanos. Onde está a graça de ir a um museu ver arte gerada? Não há história, nem imperfeições, nem diversão."
Formação e estilo
Aos 15 ou 16 anos, Jenna leu uma reportagem sobre uma ilustradora em Paris e percebeu, pela primeira vez, que desenhar podia ser profissão. Depois de se formar na AKV St. Joost, fez estágio no jornal holandês NRC. Ilustrar ao vivo na redação, com pouco tempo, forçou-a a simplesmente desenhar - o que ela chama de "desenho puro e honesto", com o desenho acima do pensamento e de qualquer estilo. Foi assim que um estilo emergiu, e ela considera o desenvolvimento do estilo um processo sem fim.
Seus primeiros personagens tinham cabeças minúsculas e membros ondulados, tudo deliberadamente "errado". Hoje o estilo amadureceu para algo mais realista, embora ela sinta falta da rebeldia e da liberdade criativa daquela fase. Seu desafio atual é equilibrar a história que quer contar com os personagens, sem deixar o cenário dominar - e acrescentar mais profundidade ao trabalho.
Deadlines, clientes e música
Para prazos editoriais, ela aplica a lição da redação: "Não pense demais, apenas desenhe. Sempre existe uma ideia melhor, então é melhor ficar com a primeira." No trabalho comercial, ela acredita que os clientes contratam também o humor e a humanidade de seu estilo - mas nem sempre. O projeto para a cervejaria Frontaal deu muita liberdade; trabalhos maiores, como o para a Eurostar (com a agência Further), envolveram concessões. "É assim que funciona."
A exceção é a música: as capas para Klangstof e Robin Kester saíram deliberadamente do roteiro, porque ela considera o trabalho editorial padrão "literal demais" para isso e usa capas de álbum para experimentar algo mais abstrato.
Saúde, limites e valor do trabalho
Jenna relata que, por cerca de dois anos, teve depressão e parou de trabalhar e de desenhar completamente. Ela pede que a história não vire narrativa de superação, mas reconhece que algo mudou: passou a saber o valor do próprio trabalho, financeiro e de outras formas, e diz "não" com mais frequência.
Ela nota que a Bélgica tem um ritmo mais acelerado que os Países Baixos, de onde vem, e lida com isso mantendo uma rotina: "Com o tempo, aprendi a estabelecer limites. Não é possível estar sempre disponível para o trabalho. Você precisa desligar de vez em quando, mesmo que ache que dá conta. Isso cobra o preço no fim."
Após mais de uma década em ilustração editorial, o que a frustra não é que os orçamentos tenham parado no tempo, mas que ninguém espera nada diferente: "Muitos clientes editoriais poderiam aumentar orçamentos." Seu conselho final: "Ser ilustradora e amar desenhar não é razão para aceitar menos. Seu trabalho merece ser pago, mesmo se você estiver começando."