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Mão robótica levanta fita de DNA sobre placa de laboratório revelando enzimas, descoberta feita pelo Claude da Anthropic
IA & Modelos · Ciência & Espaço

Claude descobre sistema enzimático inédito ligado a repetições de DNA

resumo de ~3 min

Anthropic cria grupo de pesquisa em ciências da vida

A Anthropic anunciou a criação de um novo grupo de pesquisa em biologia fundamental e um laboratório próprio, com o objetivo de usar Claude para explorar bancos de dados de DNA, identificar famílias de proteínas não caracterizadas, gerar hipóteses em escala e testá-las experimentalmente. A iniciativa, formada na primavera de 2026, parte da premissa de que descobertas importantes da biologia - enzimas de restrição, Taq polymerase, CRISPR - começaram com alguém notando algo incomum na diversidade de máquinas moleculares naturais, e de que agentes de IA podem sistematizar esse tipo de descoberta colaborando com humanos em todas as etapas.

Descoberta de um sistema enzimático inédito

O primeiro resultado relevante veio de um programa em que Claude buscou, de forma essencialmente autônoma, novas famílias de transcriptase reversa (RT), enzimas que copiam RNA em DNA. Cerca de 950 agentes rodaram por 21 horas, consumiram 210 milhões de tokens e analisaram mais de 200.000 RTs, dos quais extraíram 3.500 sistemas candidatos e depois os 20 mais promissores, com relatórios legíveis por humanos - análise que, para um cientista especialista, levaria de semanas a meses. Um dos agentes identificou um padrão de repetições de DNA espaçadas regularmente ao lado do gene de uma RT incomum, encontrada em fagos gigantes (vírus que infectam bactérias).

Embora a RT em si já tivesse sido identificada em estudos anteriores, a Anthropic afirma que Claude foi o primeiro a notar as características definidoras do sistema: o conjunto de sequências de DNA não codificante e uma proteína acessória de função desconhecida. O sistema foi batizado de array-associated reverse transcriptases (ART) e é composto por três partes: a RT, um gene parceiro adjacente e o longo arranjo de repetições. A disposição lembra um array de CRISPR, que armazena sequências de RNA que tornam os sistemas CRISPR-Cas ferramentas programáveis. Os primeiros experimentos mostram que o array de ART também é expresso como um conjunto de RNAs curtos distintos, sugerindo que algo análogo pode estar em jogo - ainda que a função primária do sistema permaneça desconhecida. Segundo a Anthropic, características como essas só foram encontradas juntas em um punhado de outros sistemas, todos programáveis e capazes de operações como cortar, copiar e colar DNA.

Método de trabalho e validação externa

O fluxo típico começa com o levantamento de uma família de proteínas: Claude lê a literatura, reproduz resultados estabelecidos para verificar seus métodos, procura membros ou vizinhos genômicos que não se encaixem em sistemas descritos e escreve relatórios propondo funções com as evidências. Na avaliação crítica subsequente, a maioria dos candidatos é eliminada; os que sobrevivem são expressos em cepas de laboratório e caracterizados bioquímica e estruturalmente por cientistas humanos, com Claude ajudando a interpretar os dados. O trabalho usa Claude Science e Claude Code, além de um sistema próprio que coordena sessões paralelas de Claude.

Como as hipóteses são produzidas em grande volume - centenas a milhares de relatórios por campanha -, o próprio conjunto de hipóteses virou objeto de estudo: a equipe busca entender o que distingue as propostas que julga valer a pena testar e realimenta as instruções dadas a Claude para imitar seu gosto científico.

O laboratório fica na Bay Area, opera apenas em níveis de biossegurança BSL-1 e BSL-2, não manipula patógenos humanos e todo o trabalho de bancada é feito por cientistas humanos. A pré-publicação com os detalhes já foi liberada, e Feng Zhang, pioneiro da edição genômica CRISPR e professor no MIT e no Broad Institute, comentou que a identificação dos arrays de RNA associados a transcriptases reversas é genuinamente intrigante e merece mais investigação, expressando esperança de que o trabalho incentive outros cientistas a explorar o uso de IA em suas pesquisas.

A Anthropic diz compartilhar os achados precocemente para demonstrar as capacidades de Claude e dar transparência à comunidade sobre seu trabalho, e convoca cientistas de genomas e de outros campos a propor questões de pesquisa para estender a abordagem.