
Óculos inteligentes da Meta mostram integração com Muse na Meta Connect
Óculos dominam a Meta Connect
No evento Meta Connect, os óculos inteligentes da empresa estiveram onipresentes: funcionários e influenciadores usavam os dispositivos, e a maioria das demonstrações envolvia os óculos. O autor testou diversos modelos da linha e destacou três produtos principais.
Óculos de áudio sem câmera
O primeiro destaque foi um novo modelo de óculos inteligentes apenas de áudio, ainda não lançado. A notícia desses óculos surgiu pouco depois de a Meta enfrentar acusações de vender "óculos de pervertido", com críticos alegando que os modelos com câmera poderiam ser usados para vigilância. O novo aparelho tem seis microfones, mas nenhuma câmera e nenhuma forma nativa de gravar o entorno - o que, segundo a matéria, deve ajudar a reduzir as preocupações com privacidade. Os óculos são visivelmente mais leves e confortáveis que os demais, com foco em entretenimento e comunicação: ouvir música (mais confortável que fones de ouvido) e atender chamadas sem tirar o celular do bolso.
Integração com o Muse
Os óculos também integrarão o Muse, sistema agêntico pessoal da Meta capaz de executar tarefas em nome do usuário. A integração, ainda indisponível ao público, permitirá falar com o Muse e dar comandos por voz. A Meta planeja personalizar o agente com avatares digitais que o representarão nas interações.
No teste prático, a experiência foi divertida, mas cômica: é preciso ser muito direto com o agente, e conversar com outras pessoas ao mesmo tempo o confunde. O autor relata que, ao conversar com a funcionária da Meta que entregou os óculos, o agente entendia que as falas eram dirigidas a ele e falava por cima dela.
Ainda assim, no contexto adequado, a integração pode ser bastante útil: o usuário pode pedir ao Muse para enviar e-mails ou recitar listas de tarefas enquanto faz compras ou toma uma cerveja, e também fazer perguntas - como uma versão móvel do ChatGPT. Uma pergunta sobre a Segunda Guerra Mundial recebeu uma resposta sucinta e historicamente precisa.
Óculos para pessoas com deficiência auditiva
O autor também testou um segundo modelo apenas de áudio, voltado para pessoas com deficiência auditiva - uma condição que, segundo a matéria, afeta cerca de 50 milhões de americanos. Um pesquisador da Meta informou que o dispositivo está em desenvolvimento há cerca de cinco anos e apontou uma diferença de preço relevante: aparelhos auditivos convencionais podem custar até US$ 1.600, enquanto os óculos serão vendidos por US$ 150.
Para a demonstração, o autor usou protetores auriculares que simulavam a perda auditiva; os óculos amplificaram a voz da pessoa com quem conversava. O usuário pode alternar entre amplificação focalizada, que destaca a pessoa à frente, e onidirecional, que capta o som do ambiente.
Aposta ampla, nicho ainda incerto
Mark Zuckerberg já deixou claro que acredita que os óculos inteligentes são o futuro, e a Meta busca concretizar essa visão. Mas o segmento continua sendo um nicho que ainda não decolou de fato. O mais evidente na Meta Connect é que a empresa lançou uma rede muito ampla - tentando tornar os óculos estilosos, funcionais e, principalmente, úteis - para ter sucesso onde outros falharam. Todos no evento pareciam acreditar nisso; resta saber se o resto do mundo acompanhará.