
Whiteboard cria canvas open source para codificar com agentes
O que é o Whiteboard
O Whiteboard é um aplicativo de desktop open source, sob licença MIT, que propõe um canvas visual onde humanos e agentes de código trabalham juntos no design de software. A ferramenta se conecta a agentes como Claude Code e Codex e fornece a eles um SDK para desenhar em um canvas dentro do próprio app, descrevendo o que estão fazendo.
O fluxo básico é simples: o usuário baixa o app, conecta um agente na tela de boas-vindas e pede, por exemplo, uma revisão da branch atual contra a main mais recente, com o resultado aberto no Whiteboard. Segundo os criadores, a ferramenta funciona melhor com modelos como GPT-6 Sol e Claude Opus 5.5, pelo equilíbrio entre inteligência, custo e velocidade.
Motivação e recursos principais
O projeto nasce de três frustrações específicas dos autores:
Diagramas que levam ao código. Ferramentas puramente em HTML não ofereciam fácil conexão entre especificação ou diagrama e o código. No Whiteboard, clicar em visualizações como diagramas de sequência, diagramas entidade-relacionamento ou trechos do trace do agente leva diretamente ao código subjacente. A navegação de código vem com atalhos e suporte a LSP do VSCode.
Diff semântico. Diffs brutos são ruidosos. O time escreveu um visualizador de diff semântico, ciente de AST, em Rust, que mostra apenas as mudanças relevantes. Funções grandes adicionadas aparecem resumidas como pseudocódigo, e mudanças em testes unitários e documentação são recolhidas ou ocultadas. Tudo é personalizável via sistema de plugins baseado em WASM.
Registro de decisões. Era difícil entender quais decisões os agentes tomaram de forma autônoma. Por isso, o Whiteboard oferece ferramentas para os agentes consultarem e vincularem seus próprios traces no canvas, permitindo visualizar requisitos, como foram implementados e quais decisões o agente tomou sozinho.
Decisões técnicas e licenciamento
O app roda contra checkouts locais, e uma versão hospedada para equipes está planejada, com tudo permanecendo self-hostable. Um ponto técnico notável: o projeto faz vendoring do Code - OSS (a base do VS Code), em vez de manter patches como outros forks. O argumento dos autores é que agentes de código têm dificuldade com patches, e grande parte do VS Code original (cerca de 45% do código hoje seria Copilot, segundo o README) não é necessária para uma ferramenta focada em revisão. O fork acompanha regularmente patches de segurança e recursos do upstream. A parte vendida mantém a licença MIT da Microsoft.
Limitações e privacidade
O README lista limitações conhecidas: não é possível editar arquivos dentro do Whiteboard, a revisão envolvendo múltiplos repositórios é mal suportada, e atualizações feitas após o compartilhamento de uma revisão não aparecem para outros usuários (é preciso re-compartilhar).
Sobre privacidade, a telemetria anônima não inclui código, diffs, textos do Whiteboard, prompts ou saída do modelo, e pode ser desativada.
Influências e recepção
O projeto cita como influências um texto de Geoffrey Litt sobre entendimento como gargalo da engenharia de software moderna, ensaios sobre o impacto do código gerado por IA na engenharia de software pré-2025, e posts de Andrej Karpathy sobre agentes como "engenheiros juniores savants". No GitHub, o repositório devdotfast/whiteboard soma cerca de 2 mil estrelas e 91 forks.
Conclusão
O Whiteboard se posiciona como resposta a uma mudança de hábito: com o uso de TUIs e apps dedicados a agentes, os editores ficariam quase exclusivamente para revisão de diffs linha a linha - e por isso faz sentido ter um editor desenhado especificamente para revisar, entender e discutir o trabalho dos agentes, com visualização, diffs semânticos e rastreabilidade de decisões.