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Selo de intimação do Congresso batendo em porta de sala de servidores neon, pedido de inquérito sobre laboratórios de IA
Big Tech

Cal Newport pede inquérito no Congresso sobre laboratórios de IA de fronteira

resumo de ~3 min

O contexto: um verão de anúncios apocalípticos

Cal Newport, professor de ciência da computação e autor do blog, argumenta que os dois principais laboratórios de IA de fronteira, OpenAI e Anthropic, adotaram nos últimos meses um comportamento que ele considera descarregado. Segundo ele, tudo começou com uma série de anúncios e relatórios da OpenAI buscando estabelecer quão inquietantes e poderosos - e até feloniosos - teriam se tornado seus sistemas agentes baseados em LLM. Em seguida, funcionários da Anthropic passaram a debater publicamente a probabilidade exata de essas tecnologias levarem à extinção humana, com uma calma que Newport descreve como transmissora de inevitabilidade niilista.

O ponto culminante, na narrativa do autor, foi uma carta do CEO da Anthropic, Dario Amodei, intitulada "We Must Pace the Frontier", na qual ele enumera os danos que a própria pesquisa de sua empresa pode causar - mas, em vez de prometer parar, conclui que a catástrofe só pode ser evitada se o governo desacelerar potenciais concorrentes e permitir que os laboratórios liderem o avanço da tecnologia. O CEO da OpenAI, Sam Altman, apoiou publicamente o plano. Newport nota que internamente os laboratórios já adotavam há tempo esse pensamento messiânico, apresentando-se como a única esperança da humanidade contra uma superinteligência, e que o verão foi uma tentativa de induzir o restante das pessoas nessa ideologia. "Não funcionou", resume ele.

O chamado ao Congresso

Na quinta-feira anterior à publicação, Newport escreveu um artigo de opinião no The New York Times pedindo que o Congresso dos EUA inicie uma missão pública de apuração de fatos para revelar quais projetos de pesquisa a OpenAI e a Anthropic conduzem, como os conduzem e com quais propósitos. Ele sugere três eixos de investigação:

  1. Isolar os sistemas problemáticos: sair de discussões vagas sobre "IA" e identificar os tipos específicos de sistemas que geram problemas. Newport argumenta que os laboratórios querem que se pense na IA como tecnologia única em trajetória fixa e inevitável, quando na maioria dos casos os problemas recentes vêm de uma faixa estreita de experimentos imprudentes, conduzidos principalmente pelos laboratórios de fronteira - que deveriam justificar por que os realizam.

  2. Examinar os procedimentos internos de segurança: ele cita que a OpenAI revelou uma longa série de ataques de invasão não autorizados cometidos por seus agentes autônomos, e questiona por que esses esforços não foram interrompidos após o primeiro incidente e por que não se persegue responsabilidade criminal por operar sistemas que se sabia que provavelmente cometeriam crimes.

  3. Investigar ideologias futuristas apocalípticas: Newport demonstra crescente preocupação de que OpenAI e Anthropic estejam se tornando mais imprudentes por acreditarem que danos colaterais são justificados numa corrida para redimir a humanidade, citando uma série de textos recentes publicados no Times sobre essas crenças e suas conexões com os laboratórios.

Ele conclui: "Precosamos de deixar que um pequeno número de empresas privadas, agindo e falando de formas cada vez mais erráticas, dite como devemos nos sentir sobre a IA. Já ouvimos o que elas querem dizer; agora é a vez do Congresso agir em nosso nome para descobrir o que realmente está acontecendo."

Comentários dos leitores

Nos comentários, leitores reforçam a tese: um deles cita a entrevista de Jensen Huang a Ezra Klein, em que se argumenta que pedir ao governo para desacelerar é abdicação de responsabilidade - os laboratórios são responsáveis pela segurança de seus produtos e, se incapazes de impedi-los de lançar produtos inseguros, deveriam talvez ser fechados. Outro comentarista vê na pressão regulatória uma tentativa de criar barreiras de entrada contra concorrentes, como modelos abertos, e garantir autossupervivência; um terceiro classifica as promessas dos executivos como "snake oil".