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Holerite aberto ao lado de três escadas em degraus crescentes, representando faixas salariais de profissionais de marketing B2B
Trabalho & Gestão

B2B marketers ganham de US$ 119K a US$ 300K, mostra análise

resumo de ~3 min

Motivação e escopo do estudo

Emily Kramer, autora do MKT1 Newsletter, publica a primeira parte de uma série sobre remuneração em marketing B2B, irritada com o fato de que profissionais de marketing frequentemente recebem menos que outras funções, apesar da receita que geram. Para criar uma referência objetiva de negociação, ela analisou 1.121 vagas de marketing nos EUA com salário divulgado, das quais 794 são de 347 startups privadas B2B - um retrato de vagas abertas em setembro de 2026. A viabilidade do estudo cresceu por dois motivos: leis estaduais de transparência salarial fizeram 87% das vagas listarem faixas salariais (contra apenas Colorado em 2022) e ferramentas como Claude Code permitiram pesquisar centenas de empresas em poucos dias. O método: usar o ponto médio de cada faixa anunciada, calcular medianas e agrupar níveis por anos de experiência até Diretor (0–2 anos = início de carreira, 3–5 = pleno, 6+ = sênior) e por cargo acima disso. A coleta usou Claude Code para vasculhar 1.600+ páginas de carreiras e revisar 2.255 postagens, filtrando para vagas americanas, em tempo integral e com salário listado.

Salário por nível e experiência

O salário mediano cresce mais de 2,5 vezes do início de carreira à liderança. Abaixo de Diretor, a mediana é de US$ 169 mil; para Diretor e acima, US$ 235 mil. Os maiores saltos ocorrem na entrada para a liderança e no início da carreira: VPs e CMOs ganham mediana de US$ 300 mil contra US$ 225 mil de Diretores/Heads (+33%), e profissionais plenos ganham US$ 160 mil contra US$ 119 mil no início de carreira (+34%). O menor salto é do pleno ao sênior - US$ 178 mil contra US$ 160 mil, apenas 11% - porque empresas divergem sobre o que "sênior" significa e muitas dessas vagas executam o mesmo trabalho que as plenas. VPs de Growth e de Product Marketing ganham cerca de US$ 69 mil a mais que Diretores da mesma área, e VP de Marketing puro atinge US$ 313 mil.

Considerando só os anos de experiência, o salário dobra de US$ 125 mil (0–2 anos) para US$ 247 mil (11+ anos). Quanto mais experiência a vaga exige, mais os salários variam: aos 11+ anos, de US$ 185 mil (Head of Marketing na Aboon) a US$ 350 mil (VP de Product Marketing na Moloco), momento em que o cargo pesa mais que o tempo de casa. Curiosamente, metade das vagas com títulos juniores (Coordinator, Associate, Specialist) pede 3 anos ou mais de experiência, e entre vagas que pedem 0–2 anos, as intituladas Marketing Manager pagam mediana de US$ 130 mil contra US$ 105 mil das intituladas Associate, Coordinator ou Specialist.

Áreas de atuação

A especialização importa mais no meio da carreira. No nível pleno, a diferença entre a área mais bem paga (product marketing e marketing design, US$ 180 mil) e a pior (comms e PR, US$ 129 mil) é de US$ 51 mil; no nível VP, a variação cai para US$ 17 mil. Product marketing lidera no pleno e no sênior, enquanto events e field é a única subárea abaixo da mediana em todos os níveis a partir do pleno. Generalistas ganham mais no sênior e no VP/CMO (US$ 313 mil, o mais alto de qualquer área), mas menos que todos no início da carreira.

Outros achados: growth fica na mediana geral em todos os níveis; SEO/AEO/web lidera no pleno e em Diretor; demand gen paga menos no pleno (US$ 138 mil), provavelmente porque essas vagas são menos frequentes em startups AI-native ou recém-financiadas. O cargo Product Marketing Manager diz pouco sobre salário - pede de 3 a 8 anos e paga de US$ 97 mil a US$ 255 mil - e onde se trabalha importa mais que o título: US$ 195 mil em São Francisco contra US$ 161 mil em Nova York e US$ 155 mil remoto. Marketing engineers, cargo novo com só 6 vagas, ganham US$ 195 mil contra US$ 140 mil de marketing ops managers no pleno. As vagas mais bem pagas do estudo chegam a US$ 400 mil ou mais, incluindo CMO da EliseAI (US$ 300–450 mil) e Head of Community da Anthropic (US$ 400 mil); as piores caem a US$ 50–70 mil.

Onde se trabalha e quem financia

Localização e financiamento têm efeitos fortes. Vagas remotas pagam menos do início de carreira ao sênior; São Francisco paga mais que Nova York no pleno (US$ 173 mil contra US$ 160 mil), com empate depois. Fora dessas duas cidades, espere 10% a 15% menos - quando empresas publicam faixas por cidade, a segunda cidade quase sempre fica 10% abaixo e a terceira 15%.

OpenAI e Anthropic operam em outra escala salarial e foram excluídas da maioria dos gráficos para não distorcer os dados. No sênior, marketers dessas empresas ganham mediana de US$ 288 mil contra US$ 178 mil em outras startups (+62%); em Diretor/Head of, US$ 381 mil contra US$ 225 mil (+69%) - um Diretor lá ganha mais que um VP/CMO em qualquer outra startup (US$ 381 mil vs US$ 300 mil). Amostra pequena (5 vagas), mas marcante. Mesmo fora delas, startups AI-native pagam mais em todos os níveis: no pleno, US$ 170 mil contra US$ 150 mil.

O fator empresarial mais forte, porém, é a recência do último aporte: startups que levantaram capital no último ano pagam cerca de 17% a mais, acima de ser AI-native (10%), de ter levantado US$ 300 milhões+ (10%) ou de ser late stage (7%). No pleno, há uma diferença de 24% entre as que levantaram no último ano (US$ 174 mil) e as que só levantaram há mais de dois anos (US$ 140 mil).

Comparação com 2022 e capital próprio (equity)

Kramer comparou os números com seu relatório de 2022, que cobria apenas startups Seed e Series A em São Francisco e Nova York. Ajustados cerca de 18% de inflação, os salários pleno e sênior estão praticamente iguais a 2022 em valores atuais - US$ 159 mil na época contra US$ 163 mil agora. A única mudança real é o piso do intervalo: o 25º percentil subiu cerca de US$ 13 mil (de US$ 130 mil para US$ 143 mil), ou seja, menos vagas pagam na base da faixa antiga. O contexto de financiamento mudou entre os estudos: o venture capital americano caiu de um recorde de US$ 358 bilhões em 2021 para US$ 162 bilhões em 2023 e voltou a US$ 339 bilhões em 2025, com cerca de dois terços indo para empresas de IA (dados PitchBook-NVCA).

Como postagens de vagas quase nunca detalham equity, a tabela de capital próprio vem da experiência da autora e de fontes públicas, não do levantamento. Ela recomenda usar percentual de participação em Seed e Series A e valor atual (como múltiplo do salário) a partir da Series B, quando a participação percentual fica muito baixa. A participacao cai rápido após a Seed: um marketer sênior tem cerca de 0,25%–0,75% na Seed contra 0,15%–0,40% na Series A.

Para avaliar uma oferta de equity, ela lista quatro itens essenciais: número de ações e cronograma de vesting, strike price (definido pela avaliação 409A, que não cai automaticamente em down rounds), total de ações diluídas e última avaliação pós-money. Também recomenda perguntar sobre exercício antecipado, janela pós-demissão (a Asana, por exemplo, dava 10 anos), refresh grants, tender offers, aceleração e preferências de liquidação. Dados da Pave mostram que equity de novas contratações fica 29%–36% menor fora das grandes cidades, contra 11%–16% de redução no salário - algo que a autora discorda que deveria ser ajustado.

Ressalvas e próximos passos

A autora enfatiza limitações: a amostra mostra o que empresas oferecem agora, não o que profissionais ganham hoje; o levantamento não busca significância estatística e envolve julgamentos na classificação de cargos e empresas. Apenas 12% das vagas mencionam bônus ou comissão, e só 2 delas declararam faixa de equity - motivo para ela pedir também transparência nesse item. Sobre o processo de trabalho, ela relata que chegou a 80% do resultado em 5 a 6 horas com Claude Code, mas os últimos 20% - verificação, refinamento e redação - levaram de 25 a 30 horas. A Parte 2 da série, sobre as vagas abertas e o que pedem as descrições, sai em duas semanas; a autora adianta que há pouquíssimas vagas de início de carreira, inclusive em OpenAI e Anthropic (45 de 63 postagens são cargos sênior).