
Anthropic amplia acesso verificado a capacidades de cyber
Expansão do Cyber Verification Program
A Anthropic lançou uma versão expandida do seu Cyber Verification Program (CVP), que dá a profissionais de segurança verificados acesso a capacidades avançadas de cyber e a classificadores com menos bloqueios. O programa, antes restrito a equipes de segurança selecionadas, agora tem três níveis de acesso, cada um com requisitos de verificação e controles distintos. Todos os níveis incluem acesso aos modelos mais capazes da empresa, incluindo Claude Opus 5.5, Claude Sonnet 5.5 e Claude Mythos 5.1, além de modelos futuros.
A justificativa é o caráter dual use da segurança cibernética: as mesmas capacidades que permitem a uma equipe encontrar e corrigir uma vulnerabilidade podem ajudar um ator malicioso a explorá-la. Por isso, os modelos de disponibilidade geral, como Claude Opus 5.5, Claude Fable 5.1 e Claude Sonnet 5.5, têm salvaguardas conservadoras que bloqueiam a maior parte do trabalho de cyber, com esforços contínuos para reduzir falsos positivos em codificação segura. Nos últimos seis meses, a empresa havia operado dois programas de acesso confiável: o Project Glasswing, que deu a organizações que protegem software crítico acesso a Claude Mythos, e o CVP original, com salvaguardas reduzidas em Claude Opus e Sonnet. Os dois agora são integrados em uma oferta única.
Os três níveis de acesso
O nível Defense Access cobre trabalho defensivo: operações de centro de segurança e resposta a incidentes, engenharia reversa de malware e análise e validação de vulnerabilidades. Podem se candidatar equipes de segurança de empresas, organizações sem fins lucrativos, universidades e governos que defendem sistemas próprios, operadores de infraestrutura crítica, empresas menores de segurança, mantenedores de código aberto e pesquisadores individuais com histórico de vulnerabilidades reportadas. A empresa espera responder às candidaturas em poucos dias.
O nível Red Team Access acrescenta testes de penetração e red teaming autorizados, restritos a sistemas que a organização está autorizada a testar. Continuam existindo bloqueios em tempo real para ações que possam causar dano físico ou interrupção em massa, como implantar ransomware ou testar sistemas de segurança de alto risco. O nível é restrito a organizações, não a pesquisadores individuais, e a revisão deve levar algumas semanas; enquanto aguardam, os candidatos são inscritos no Defense Access.
O nível Specialized Access, com o menor número de bloqueios, é reservado a um conjunto limitado de organizações verificadas autorizadas a testar sistemas de segurança com impacto potencial sobre vidas ou mercados, como sistemas de voo, redes elétricas, telecomunicações, infraestrutura de transferências interbancárias e redes administrativas governamentais. Cada organização é revisada em profundidade em colaboração com o governo dos EUA; membros atuais do Project Glasswing migram para este nível sem reaprovação para os modelos atuais.
Sobre privacidade, a retenção de dados é exigida para monitorar uso indevido. Quando o Enterprise Frontier Safeguards (EFS), solução que combina retenção zero de dados com salvaguardas robustas, estiver disponível no fim do outono, organizações elegíveis poderão armazenar dados em infraestrutura de nuvem sob seu controle. Até lá, organizações com acesso a Claude Fable 5.1 ou Claude Mythos 5.1 com retenção zero podem usar o CVP também com retenção zero. Os modelos de disponibilidade geral seguem liberados para revisão de código, correção de problemas conhecidos, busca de vulnerabilidades em código próprio e triagem de alertas.
Testes e resultados do programa
Para avaliar a eficácia, a Anthropic rodou Claude Opus 5.5 no CyScenarioBench, avaliação que mede se modelos conseguem planejar e executar operações de cyber em múltiplas etapas sob restrições realistas, com salvaguardas ajustadas para cada nível. Em cinco tentativas de cada um dos 10 desafios por nível: sem acesso ao CVP, todas as tarefas foram bloqueadas no primeiro prompt; no Defense Access, 46 das 50 tentativas foram bloqueadas em algum momento, com quatro concluídas; no Red Team Access, não houve bloqueios e o modelo completou 34 das 50 tarefas, equivalente à taxa de sucesso de 67,6% do modelo sem salvaguardas, representativa do Specialized Access.
A empresa também destaca resultados do Project Glasswing: parceiros do programa identificaram pelo menos 129.000 vulnerabilidades verificadas de software entre abril e julho de 2026, e os esforços próprios de varredura de código aberto encontraram mais 5.500 entre abril e outubro de 2026. Mais de 33.000 dessas vulnerabilidades foram classificadas como de severidade crítica ou alta. A Anthropic reconhece que os números provavelmente são subnotificados, pois se baseiam em dados de apenas um subconjunto dos parceiros, e estima que o impacto real seja pelo menos cinco vezes maior. Vários parceiros relataram que os modelos Claude Mythos aumentaram sua taxa de descoberta em meses ou até anos. As limitações de dados incluem abordagens diferentes de triagem e o fato de que menos de 50% dos parceiros divulgaram números de correções aplicadas, o que subestima a taxa de correção.
O programa está disponível na Claude Platform, no Vertex AI do Google Cloud e no Microsoft Foundry; no Amazon Bedrock, apenas para clientes elegíveis ao EFS. Membros atuais do CVP manterão as configurações para modelos anteriores e serão avaliados automaticamente para os modelos novos. A Anthropic afirma que continuará a refinar os classificadores por nível e a trabalhar para dar aos defensores uma vantagem permanente, com mais detalhes a serem divulgados nas próximas semanas.