
Granola precisa de modo de teste no onboarding para quem experimenta pela primeira vez
O problema do primeiro uso
Há um número grande de apps de anotações com IA, e quase todo software de produtividade já traz um recurso desse tipo. Para escolher entre eles, o autor sustenta que a maioria das pessoas não compara a precisão da transcrição. Elas testam um app e julgam pela sensação de uso. Por isso, a primeira gravação costuma ser um teste, e não uma reunião real, com frases do tipo "testando, olá, testando".
Segundo o autor, o Granola desperdiça esse momento. A falta de onboarding faz com que a experiência de teste dê errado. Ele propõe duas maneiras de corrigir isso.
Seguir o comportamento natural
A tese do primeiro bloco é que costuma ser mais eficaz atender ao comportamento instintivo das pessoas do que tentar mudá-lo. Como ilustração, o autor lembra que, ao abrir o Google Earth pela primeira vez, a maioria das pessoas procura a própria casa ou o bairro onde cresceu. Como uma rua residencial pouco demonstra o potencial do produto, a empresa poderia tentar redirecionar essa busca para um ponto de interesse específico, ou aceitar o comportamento e facilitar a localização do antigo quarto.
No caso do Whereby, o autor cita que a ferramenta de videoconferência sabe que novos usuários querem testar a experiência logo após criar uma reunião. Por isso, facilita esse teste: basta ler um QR code com o celular para entrar, o que permite ver a experiência dos dois lados antes de convidar outra pessoa.
Aplicado ao Granola, o raciocínio é que novos usuários provavelmente querem gravar um teste antes de confiar ao app uma conversa completa. É o mesmo princípio.
Criar um modo de teste
No aplicativo de desktop, o Granola mostra a transcrição ao vivo. No iOS, esse recurso não existe, e o autor trata essa ausência como uma escolha, ou uma troca deliberada. Uma explicação possível é que a transcrição na tela pequena de um celular, colocado no meio de uma mesa de reunião, seria distrativa. Se a pessoa visse cada palavra aparecendo, tenderia a observar a tela, o que prejudicaria o fluxo da conversa.
O autor considera essa troca razoável para o uso cotidiano. Um novo usuário, porém, está em outra situação, pois busca segurança. Nesse contexto, uma experiência de teste única poderia ajudar a fechar essa lacuna, como uma versão reduzida do produto que atende ao comportamento inicial sem exigir o uso de todas as funções. A comparação é com os brinquedos infantis que têm um modo "try me", controlado por uma aba que se puxa. Ele permite que a criança ouça o som ou entenda o básico do brinquedo sem percorrer todas as funções.
O custo de algo visto uma só vez
O autor reconhece a dificuldade interna. Dentro das equipes de produto, alguém precisa convencer os decisores a alocar recursos para uma funcionalidade que será vista apenas uma vez, e isso é uma venda difícil.
O argumento contrário é que a primeira sessão em um app tem influência desproporcional sobre como ele é percebido, sobretudo em um mercado com tanta concorrência. Há também um benefício indireto. Como o produto costuma ser usado em grupo, ele pode crescer por boca a boca. Uma pessoa que grava uma reunião com outras quatro e envia anotações detalhadas pode despertar o interesse delas. O oposto ocorre quando alguém se atrapalha com o microfone, não sabe se a gravação funciona e recebe um resumo sem sentido.
O autor compara com fabricantes de brinquedos, que projetam o modo de demonstração pensando na prateleira da loja, onde a decisão de compra acontece. Como os apps são gratuitos para baixar, a "loja" seria a primeira sessão de uso.
Conclusão
Para o autor, o Granola deixa de aproveitar o momento em que o usuário mais precisa de confiança. Um modo de teste, pensado para o primeiro uso, poderia tratar a curiosidade inicial como parte do desenho do produto, e não como um desvio a ser ignorado.