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Design se fragmenta entre templates, IA generativa e sistemas de restrição
Produto & Design · Trabalho & Gestão

Design se fragmenta entre templates, IA generativa e sistemas de restrição

resumo de ~3 min

Da equipe ao sistema

Durante décadas, o design esteve concentrado em um departamento com orçamento, equipe, fila de demandas e ciclos de revisão. Segundo o texto, essa estrutura vem sendo descentralizada há pelo menos dez anos: primeiro, para as operações de marketing; depois, para profissionais de vendas, RH e produto; e, mais recentemente, para ferramentas de modelos generativos. A questão deixou de ser se o design foi descentralizado e passou a ser onde a função reside e se ela continuará existindo como um papel reconhecível.

A primeira migração foi causada pelas ferramentas. Plataformas baseadas em navegador e modelos prontos, como Canva, Adobe Express e, em posição adjacente, Figma, permitem que pessoas fora do departamento criem materiais aceitáveis em pouco tempo. A segunda foi de governança: para preservar a identidade da marca, designers passaram a construir bibliotecas de modelos bloqueados, sistemas tipográficos, tokens de cor e variáveis permitidas. Seu trabalho migrou da produção de peças para a criação das regras que permitem produzi-las.

A terceira migração, ainda em curso, envolve modelos generativos capazes de criar banners, peças para redes sociais e apresentações a partir de uma frase, além de redimensionar, reformatar e reescrever conteúdos. Como esses modelos podem gerar simultaneamente o modelo e a peça, o texto identifica duas possibilidades.

Duas possibilidades

Na primeira, a função de design continua encolhendo. Se um gerente de marketing puder descrever uma campanha em linguagem natural e receber materiais coerentes para vários formatos, bibliotecas de modelos e manuais de marca poderiam se tornar redundantes. O cargo de liderança em design se reduziria ao controle de qualidade e talvez desaparecesse, enquanto o trabalho continuaria sendo feito por outras pessoas ou por modelos.

Na segunda, a expansão da geração torna as restrições mais importantes. Sem controles, os modelos podem produzir um desgaste gradual da identidade da marca em milhares de pontos de contato. Caberia a alguém definir o que o modelo pode fazer, o que deve evitar e como seus resultados serão avaliados. Esse trabalho seria uma arquitetura de sistemas de design aplicada a uma base generativa, elevando o designer responsável de autor de regras a arquiteto do ambiente de produção.

Padrões atuais de compra refletem as duas apostas. Organizações que adotam Canva em escala apostam na democratização da produção; as que investem em sistemas de design, bibliotecas de tokens e automação, como o BannersUI, da Santa Cruz Software, apostam em ampliar o alcance de um único designer. O primeiro reduz a barreira de entrada; o segundo aumenta o volume e a variedade de entregas possíveis sob uma estrutura de controle.

Governança e mercado

O período de transição é marcado por descentralização sem governança: versões diferentes de logotipos, licenças de fontes desaparecidas, peças feitas em planos gratuitos e apresentações cuja paleta se desviou sem que ninguém percebesse. O DesignOps surge como resposta organizacional a um problema que as ferramentas criaram, mas não conseguem resolver sozinhas. O texto compara sua situação, em 2026, à do Digital Asset Management em 2010: há muitos fornecedores, responsabilidades indefinidas e compradores tentando descobrir qual orçamento deve abrigar a função. A expectativa apresentada é de consolidação futura, com vantagem para plataformas que resolvam a governança na infraestrutura, e não apenas ofereçam o editor mais atraente.

O mesmo conjunto de ferramentas também estaria absorvendo a camada inferior do mercado de agências. Peças para redes sociais, materiais de eventos, páginas simples, ajustes de apresentações e redimensionamentos são cada vez mais feitos internamente por assinantes de ferramentas ou gerados por modelos. Pesquisas não captariam bem o fenômeno porque medem sobretudo o faturamento de trabalhos estratégicos no topo do mercado, enquanto pequenos estúdios podem fechar ou mudar de atividade silenciosamente.

A conclusão é que o design hoje reside ao mesmo tempo em sistemas criados por um número menor de designers seniores, nas mãos de não designers e nos modelos, prompts e restrições que orientam sua produção. A permanência do cargo sênior dependerá de as organizações tratarem essa camada de restrição como infraestrutura crítica, e não como custo indireto. Designers com futuro serão os capazes de explicar, em termos compreensíveis para um diretor financeiro, o que seus sistemas impedem.