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Data centers contratam eletricistas e carpinteiros em massa
Hardware & Chips · Trabalho & Gestão

Data centers contratam eletricistas e carpinteiros em massa

resumo de ~3 min

A corrida das big techs por mão de obra qualificada

A construção de data centers para IA está gerando uma disputa sem precedentes por eletricistas, carpinteiros e outros profissionais de ofícios qualificados nos EUA. Empresas como OpenAI, Meta e Google estão investindo centenas de milhões de dólares para treinar e recrutar trabalhadores, enquanto os salários em data centers já pagam 42% a mais que vagas similares em outros setores, segundo análise do Indeed.

Investimentos em treinamento

O Google destinou US$ 50 milhões para elevar as matrículas anuais em programas de aprendizagem de 19.500 para 30.000 nos próximos três anos. A BlackRock comprometeu US$ 100 milhões para expandir a formação de mão de obra qualificada no Texas. A Meta alocou US$ 115 milhões apenas no primeiro ano de um programa plurianual que pretende treinar cerca de 5.000 trabalhadores em cursos de quatro semanas, com viagem e hospedagem pagas.

O projeto da OpenAI em Saline Township, Michigan, é descrito como o maior investimento único da história do estado, exigindo centenas de eletricistas em turnos de 10 horas, sete dias por semana.

Tensão no mercado de trabalho

A demanda por mão de obra está drenando trabalhadores de outros setores. Construção comercial cresceu desde o lançamento do ChatGPT, enquanto a construção residencial caiu. Desenvolvedores de data centers competem com projetos de energia, habitação e infraestrutura por recursos limitados.

Sean McGarvey, presidente da aliança de sindicatos de construção da América do Norte (que representa 3 milhões de trabalhadores), afirmou que os sindicatos podem treinar quantas pessoas forem necessárias, desde que as empresas se comprometam a contratar trabalhadores sindicalizados. Ele criticou o programa da Meta como "uma jogada brilhante de relações públicas", argumentando que um mês de treinamento não se compara a um aprendizado de quatro anos.

Preocupações com o futuro

Trabalhadores e especialistas levantam dúvidas sobre a sustentabilidade do boom. Joe Ottenbacher, que trocou a educação infantil pela profissão de eletricista, questiona o que acontecerá com os trabalhadores quando os data centers estiverem prontos - já que a operação de um data center exige muito menos pessoas do que sua construção.

Jeff Strohl, diretor do Centro de Educação e Força de Trabalho da Universidade de Georgetown, aponta que o cenário ideal seria que, ao fim do boom de data centers, houvesse um boom habitacional para absorver esses trabalhadores - mas considera isso improvável.

Há também uma dimensão política: sindicatos locais tendem a apoiar projetos nos quais seus membros trabalham, o que dá aos desenvolvedores de data centers uma vantagem em comunidades céticas, diferentemente do que ocorreu com a indústria eólica offshore, que enfrentou forte oposição local.