
AI assistants colapsam interfaces em uma única caixa de chat
A queda no número de superfícies
Patrick Neeman argumenta que a Lei de Jakob - segundo a qual usuários esperam que um site funcione como os sites que já conhecem - está se aplicando de forma invertida na era dos assistentes de IA. Em vez de ser um alerta contra a inovação, ela se tornou a razão pela qual assistentes como Claude, ChatGPT, Gemini e Copilot são adotados tão rapidamente: todos seguem o mesmo padrão (uma caixa de texto, uma resposta, um diálogo), então aprender um é aprender todos.
O número de interfaces que uma pessoa toca diretamente está caindo. Tarefas que antes exigiam abrir dezenas de abas e aplicativos distintos agora passam por um único assistente conversacional. Ferramentas como Slack e Teams já integram agentes de IA diretamente nos canais de conversa, e projetos open-source como o OpenClaw levam modelos de linguagem para WhatsApp, Discord e Telegram. O OpenAI permite que apps de terceiros rodem dentro do ChatGPT, e o Model Context Protocol (MCP) da Anthropic conecta assistentes a calendários, documentos e trackers de issues com um único protocolo.
Você pode não ser mais dono da superfície
Quando um usuário pede ao Claude para encontrar cláusulas de renovação automática em contratos, o assistente acessa a plataforma de contratos via conector, executa o trabalho e responde no chat - o usuário nunca abre o aplicativo, nunca vê a navegação ou o dashboard. O produto fez o trabalho e permaneceu invisível.
Isso desloca o trabalho de design: em vez de projetar o destino, é preciso ser legível através da interface de outro. Nomes claros, ações bem estruturadas e capacidades descritas de forma que um modelo consiga encontrá-las e roteá-las corretamente tornam-se essenciais. Como agentes frequentemente operam a interface visual humana (via computer use), componentes convencionais funcionam melhor do que interfaces bespoke - o modelo foi treinado nos padrões comuns da web.
A2UI: como os padrões voltam de forma padronizada
A2UI, introduzido pelo Google no final de 2025, é um padrão aberto que permite a um agente renderizar interfaces reais - formulários, gráficos, fluxos de reserva - dentro da conversa, usando os componentes nativos do próprio aplicativo. O agente descreve o que precisa como dados estruturados; o app desenha com seu design system. Do lado da Anthropic, o MCP Apps (início de 2026) faz trabalho similar, permitindo que ferramentas retornem UI interativa dentro da conversa.
Isso resolve o problema de affordance: em vez de digitar em um vazio e esperar, o usuário recebe um date picker que se comporta como date picker, um formulário que não aceita valores inválidos. E resolve o problema de propriedade: sua interface, seus componentes e suas convenções podem aparecer dentro de uma superfície que você não controla.
Como aplicar
Neeman propõe dividir o problema em dois: para tarefas que passam pelo assistente, conforme-se - nomeie ações como uma pessoa pediria, exponha capacidades via protocolos, e use generative UI para mostrar sua interface dentro da conversa. Para tarefas que ainda trazem pessoas diretamente ao seu produto (trabalho profundo, exploratório, de alto risco), mantenha as convenções do domínio. E para o caso "sem superfície" - quando um agente age em background - invista no resumo, na notificação e no undo, pois são os únicos pontos de contato que o usuário terá.