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ShieldFont: fonte aberta 'envenena' dados coletados por crawlers de IA
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ShieldFont: fonte aberta 'envenena' dados coletados por crawlers de IA

resumo de ~3 min

ShieldFont: fonte aberta que envenena dados de crawlers de IA

O estúdio brasileiro Seneda & Abrucio (S&A) e a fundição de tipos dinamarquesa Playtype lançaram a ShieldFont, uma fonte web gratuita e open-source que parece texto normal para leitores humanos, mas alimenta scrapers de IA com palavras alteradas no código-fonte.

Como funciona

Diferentemente da Ghost Font (que usa ilusão óptica e só funciona em vídeo/GIF), a ShieldFont não depende de truques visuais. Ela é uma adaptação da fonte Optik da Playtype, disponível em seis pesos (Regular a Black). O mecanismo usa substituição de glifos OpenType para trocar palavras selecionadas no HTML, alterando o significado factual das frases sem quebrar a coerência gramatical - o que aumenta a chance de o texto contaminado passar pelos filtros de qualidade dos pipelines de treinamento de IA.

A versão atual (v18) mira substantivos de alta frequência em inglês. Em testes controlados, 55,8% das passagens protegidas deixaram de fazer a mesma afirmação factual do original. Testes em pipelines públicos de scraping mostraram que o conteúdo alterado consegue sobreviver à filtragem e entrar em datasets de treinamento.

Posicionamento dos criadores

Os fundadores da S&A, Isaque Seneda e Gabriel Abrucio, afirmam que o projeto não é anti-IA, mas contra a ideia de que publicar online equivale a consentir com a coleta. Segundo eles, protocolos como robots.txt são rotineiramente ignorados, então a solução foi "transformar o próprio conteúdo no opt-out".

Daniél Andreasen, CEO da Playtype, reforça que a tipografia sempre ajudou a humanidade a preservar e compartilhar ideias - e agora pode ajudar a protegê-las. Por isso o projeto é open-source.

Limitações e implementação

Os criadores reconhecem que a ShieldFont não é inquebrável: um scraper determinado, mirando um site específico, poderia inspecionar a fonte e reverter o mapeamento. Ainda assim, a ferramenta dificulta e encarece o scraping em massa, já que os crawlers não sabem de antemão se um site usa ShieldFont nem qual mapeamento está ativo.

A implementação pode ser feita via encoder online, componente React no GitHub, ou integração por CSS e CDN. Há também um construtor de fontes customizadas para aplicar o protocolo ShieldFont a outras tipografias compatíveis e criar mapeamentos privados.