
Google pausa imagens de satélite geradas por IA após fears de deepfakes
Google pausa geração de imagens de satélite por IA após temores de deepfakes
Um dia após o Google lançar uma funcionalidade no Google Earth que permitia criar imagens de satélite geradas por IA com um clique, a empresa anunciou a remoção da ferramenta. A decisão veio após especialistas em verificação de fatos e investigadores open-source alertarem sobre o potencial de abuso para desinformação.
A funcionalidade havia sido anunciada em 30 de julho de 2026. O gerente de produto Bryan Horowitz descreveu que bastava dar zoom em um local no Google Earth, tocar em "criar imagem" e digitar o que se queria ver. Na prática, o pesquisador open-source Henk van Ess conseguiu gerar imagens de refugiados na fronteira mexicana, uma usina nuclear no Irã, um acidente em Amsterdã e um hospital com cratera de bomba em Gaza - nenhuma solicitação foi recusada. A NPR também gerou facilmente imagens da Ilha Kharg, no Irã, em chamas, e do Capitólio dos EUA inundado - eventos que nunca ocorreram.
Por que isso importa
Imagens de satélite se tornaram uma ferramenta central para verificar eventos em zonas de conflito e áreas de difícil acesso. Segundo Jake Godin, pesquisador sênior do Bellingcat, "imagens de satélite têm sido uma espécie de aposta segura quando se trata de verificar um evento porque é difícil falsificá-las". A fonte - uma câmera a centenas de quilômetros da superfície terrestre - era historicamente difícil de imitar.
Godin apontou que imagens falsas de satélite já circularam em casos limitados, como fotos falsas de uma base dos EUA danificada no Bahrein durante o conflito entre EUA, Israel e Irã. Mas a ferramenta do Google tinha o potencial de acelerar drasticamente a produção de falsificações. "A desinformação viaja mais longe e mais rápido do que qualquer tipo de correção", disse Godin, alertando também que governos passarão a alegar que imagens reais são falsas, minando a confiança pública.
Resposta do Google
A empresa afirmou que "leva a desinformação a sério" e que todas as imagens geradas são marcadas com a marca d'água SynthID, que as identifica como geradas por IA em outras ferramentas do Google. Afirmou também bloquear a criação de imagens sobre temas prejudiciais. No entanto, poucos na comunidade open-source se sentiram tranquilizados. Para van Ess, se o Google continuar desenvolvendo a ferramenta, "a falsificação será feita dentro da coisa que as pessoas usam para verificar se as imagens são verdadeiras".