
Bending Spoons compra Airtable por US$ 1,28 bilhão
Philip Zeyliger, ex-funcionário da Airtable, usa a aquisição da Airtable pela Bending Spoons por US$ 1,28 bilhão como ponto de partida para argumentar que plataformas No Code "pularam o tubarão" - ou seja, atingiram seu pico e agora entram em declínio.
O valor real das plataformas No Code
Zeyliger explica que software de trabalho não tem valor em si; serve para organizar algo (agendas, pedidos, pessoas). Planilhas são a solução universal, mas têm teto em compartilhamento, permissões e automações. Plataformas como Airtable surgiram para preencher essa lacuna: o usuário define o modelo de dados (tabelas, colunas, tipos), e a plataforma constrói automações por cima. Ele cita Fred Brooks: "mostre-me suas tabelas e não precisarei dos seus fluxogramas".
Contexto histórico
Nos anos 90, equipes de TI construíam software sob medida. Com o SaaS (marcado pela campanha "Software is Dead" da Salesforce em 2000), TI virou procurement - e procurement significa dizer "não". Low Code e No Code preencheram o vácuo: as pessoas "contrabandeavam" Airtable para dentro das equipes, geravam valor, e ninguém conseguia remover por razões burocráticas.
A tese: LLMs mudaram o jogo
Em 2026, com LLMs dominantes, a resposta certa para construir ferramentas de negócio é simplesmente Linux. Zeyliger defende "choose boring technology": uma stack aberta (ele prefere SQLite, Go, TypeScript, Vue) elimina lock-in de plataforma. Se precisar migrar para AWS, GCP, Hetzner ou um miniPC, basta um rsync. Um agente de código consegue portar qualquer configuração low code para Linux com poucos prompts.
O modelo proposto
A ideia é: dar ao agente de código o modelo de dados do negócio e os workflows, deixá-lo iterar em produção, e depois deixar colegas refinarem. Para projetos que precisam escalar para "coisa crítica de negócio", aí sim se introduz git, ambientes separados etc. Um LLM rodando em Linux é "piso baixo, teto alto": começa simples e pode ir longe.
Sobre o exe.dev
O artigo é também uma apresentação do exe.dev, produto da empresa de Zeyliger. A plataforma vende VMs Linux acessíveis pela internet, seguras por padrão, com um agente de código pré-instalado (chamado Shelley). O plano básico custa US$ 20/mês e inclui até 50 VMs com 2 CPUs e 8 GB de RAM. O agente pode portar planilhas existentes, criar automações com cron/systemd, construir bots conectados a Slack via sistema de integrações próprio, e até fazer profiling e testes de performance.
Vibe Coding é suficiente?
Zeyliger responde que sim, na experiência dele. Ele compara com planilhas: toda fórmula de spreadsheet é frágil e não testada, e mesmo assim funcionam. O mesmo se aplica aqui. Sobre frameworks (Langchain etc.), diz que os agentes são capazes de escolher sozinhos ou simplesmente fazer "do jeito chato" - o importante é primeiro entender as necessidades do workflow.