
Marcas criam cargo de Chief Creator Officer para dominar feeds algorítmicos
O surgimento do Chief Creator Officer
Em julho de 2026, duas empresas criaram cargos executivos quase idênticos em semanas de diferença: a Blenders Eyewear nomeou Jordan Howlett (conhecido como Jordan the Stallion, com 50 milhões de seguidores) como seu primeiro Chief Content Officer, e a Edelman nomeou Kenny Gold como Global Chief Creator Officer. O artigo argumenta que isso não é coincidência, mas reflexo de uma mudança estrutural na forma como marcas conquistam atenção.
O conceito de "capital algorítmico"
O autor introduz o conceito de algorithmic capital (capital algorítmico): a capacidade acumulada de um criador de gerar engajamento orgânico consistente nos feeds. Diferente da TV, que vendia alcance garantido por dinheiro, as plataformas sociais mostram posts a mais pessoas apenas quando os primeiros espectadores assistem, compartilham ou respondem. Criadores que conseguem essa resposta repetidamente estão acumulando um ativo - a confiança do público e a confiança do sistema de ranqueamento.
Dados citados reforçam o cenário: o YouTube já supera a Netflix em tempo de exibição diário, gastos com anúncios em vídeo mobile estão prestes a ultrapassar busca mobile, e 97,3% das visualizações de posts no Facebook nos EUA vão para posts sem link externo (dado da própria Meta). O alcance orgânico de contas de marca vem caindo há anos.
De patrocínio a contratação
A primeira resposta das marcas foi pagar por acesso: patrocínios, acordos de embaixador, códigos de afiliado - gastos que cresceram 171% no último ano segundo a CreatorIQ. Mas dinheiro compra audiência uma campanha por vez, e a habilidade permanece com o criador. O próximo passo é contratá-lo diretamente.
Whalar criou o primeiro cargo de Global Chief Creator Officer em 2023 (Ashley Rudder), BrandArmy seguiu em 2024, e Edelman globalizou o título em julho de 2026. Marcas como Amazon, Coca-Cola, Red Bull e Unilever também listaram vagas "creator-native" este ano.
Erros passados e a diferença do novo cargo
Algumas tentativas anteriores de internalizar marketing de criadores falharam: marcas montaram equipes que apenas gerenciavam pagamentos e briefings, sem incorporar a habilidade de gerar resposta orgânica. O Chief Creator Officer é diferente - ele decide como a marca aparece, desde campanhas até produtos, não apenas gerencia gastos.
Um perfil raro
O cargo exige duas competências raramente combinadas: o instinto e a velocidade de quem construiu audiência pessoalmente, e a disciplina para montar equipe e processo. O pool de candidatos é tão pequeno que empresas recorrem a headhunters especializados.
Paralelo histórico
O autor compara com os Chief Digital Officers dos anos 2010: o título surgiu porque a competência digital era escassa, se espalhou por milhares de empresas e depois desapareceu à medida que "digital" deixou de ser especialidade e virou parte de toda função. O Chief Creator Officer estaria no início do mesmo arco - e seu eventual desaparecimento significaria que o trabalho deu certo.