
Novo papel do PM: julgamento de produto vira o ativo escasso
O papel do PM segundo Benedict Evans
Marty Cagan afirma já ter visto pelo menos cem definições diferentes do papel de product manager/product owner e observa que a forma como alguém define a função revela muito sobre o modelo de produto em que trabalhou. Ele destaca uma descrição recente do analista Benedict Evans, feita em um artigo e podcast sobre por que a maioria das pessoas e empresas não cria as próprias ferramentas, mesmo com IA tornando isso mais acessível.
As três habilidades essenciais
Segundo Evans, bons profissionais de produto têm três capacidades distintas:
- Ver o problema geral por trás da dor: muitos percebem dores e têm ideias, mas poucos conseguem identificar a oportunidade ou o problema estrutural a ser resolvido.
- Descobrir uma solução eficaz: usar bem uma ferramenta não é o mesmo que saber criá-la. Evans exemplifica: conhecer vendas não torna alguém bom em construir software de vendas.
- Fazer a solução funcionar para o negócio: além de atender o cliente, a solução precisa considerar vendas, marketing, financeiro, compliance, jurídico, dados regulados, sistemas legados e fluxos internos.
Cagan traduz esses pontos para conceitos conhecidos de produto: descoberta de problema, risco de valor na descoberta de solução e risco de viabilidade.
IA muda ferramentas, não o problema central
Cagan reconhece que errou ao esperar que novas ferramentas de criação transformassem muito mais pessoas em bons criadores de produto. Para Evans, o gargalo não é código nem tecnologia: “a parte difícil é saber que a ferramenta deve existir e como ela deve existir”. A conclusão é que a maioria dos clientes não é “tool builder”, e que essas habilidades seguem sendo o ativo essencial - e escasso - do papel de produto.