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Braço robótico em órbita acopla módulo de propulsão a um satélite, mecânico espacial da Northrop Grumman
Ciência & Espaço · Hardware & Chips

Northrop lança mecânico robótico espacial para prolongar satélites

resumo de ~3 min

Novo mecânico robótico espacial

A Northrop Grumman iniciou a transição para uma nova geração de serviços orbitais destinada a prolongar a vida útil de satélites. Um Mission Extension Vehicle (MEV) da empresa se desconectou de um satélite de comunicações operado pela australiana Optus, após mais de um ano acoplado para mantê-lo na posição correta.

Em julho, quatro novas espaçonaves da Northrop foram lançadas ao espaço por um foguete Falcon 9, da SpaceX. Uma delas é o Mission Robotic Vehicle (MRV), satélite equipado com dois braços robóticos avançados, desenvolvido com participação da DARPA. As outras três são Mission Extension Pods (MEPs), módulos de propulsão mais simples.

Como funciona a extensão de vida

Os quatro veículos seguem para alvos a cerca de 27 mil milhas acima da Terra. Em 2027, o MRV deve usar seus braços robóticos para acoplar um dos MEPs ao satélite da Optus, permitindo que ele permaneça em órbita por mais anos.

Satélites de comunicação e sensoriamento costumam deixar de operar quando ficam sem combustível para manter a posição, não necessariamente por falha de computadores ou transmissores. O satélite da Optus foi lançado em 2009, com vida útil projetada de 15 anos. Se tudo funcionar conforme o previsto, ele poderá continuar operando - e gerando receita - por mais seis anos.

Modelo mais modular

Atualmente, há dois MEVs em órbita, lançados em 2019 e 2020, que já forneceram extensão de vida de dez anos a três clientes, incluindo dois satélites da Intelsat e o da Optus. O MEV-1 ficará em órbita de espera aguardando novo cliente, enquanto o MEV-2 permanece acoplado a um satélite da Intelsat até 2030.

O MRV representa uma evolução desse modelo: os operadores de satélites compram e passam a ser donos dos MEPs, que ficam permanentemente presos às suas espaçonaves. Isso libera o MRV para atender outros veículos, tornando a oferta mais barata.

Desafios técnicos e implicações

A operação exige tecnologia complexa, já que os veículos precisam se aproximar e acoplar autonomamente enquanto viajam a milhares de milhas por hora. Os MEVs usam uma sonda de acoplagem que se conecta aos bocais de propulsão dos satélites; o MRV fará o encaixe dos módulos por meio de braços robóticos.

Diferentemente da maioria dos satélites, o MRV foi projetado para ser reabastecido em órbita, servindo também como prova de conceito para futuras capacidades de manutenção espacial. Embora a tendência atual do setor seja lançar muitas espaçonaves baratas e substituíveis em órbitas baixas, como fazem Starlink e Amazon LEO, satélites grandes e caros em órbitas altas também podem se beneficiar da extensão de vida.

A Northrop afirma que seus veículos são voltados a missões de serviço, mas o envolvimento da DARPA e o possível interesse de clientes de defesa aumentam a relevância estratégica da tecnologia. A Força Espacial dos EUA já classificou uma espaçonave chinesa de manutenção com braços robóticos como arma potencial, por poder, em tese, capturar ou degradar satélites rivais. A empresa também vê possibilidade de uso do MRV em órbita baixa, inclusive para prolongar a operação de ativos valiosos.