
OpenAI: uso empresarial de IA migra de assistência para execução
A OpenAI publicou dois estudos complementares sobre como empresas estão usando IA: o relatório Enterprise Signals, focado em clientes empresariais e no uso de IA agêntica, e o working paper How Organizations Use AI: Evidence from ChatGPT, que analisa adoção por empresas, funções e níveis de senioridade. O ponto central é que o uso corporativo está migrando de “assistência” - perguntar, rascunhar, brainstorming - para “execução”, com agentes realizando tarefas mais longas e conectadas a ferramentas, dados e fluxos de trabalho da empresa.
Uso de IA fica mais agêntico
Segundo a OpenAI, até junho o Codex gerava 64% dos tokens de saída combinados de Codex e ChatGPT entre clientes empresariais. Como fluxos agênticos tendem a produzir tarefas mais longas e com múltiplas etapas, o número indica maior participação de trabalho delegado e substantivo, não apenas respostas curtas ou consultas pontuais.
Diferença entre empresas “frontier” e demais aumenta
As “frontier firms” são as empresas no topo de 10% do uso mensal de IA, medidas por tokens de saída por usuário ativo. Em junho, essas empresas geravam 8,3 vezes mais tokens por usuário ativo do que empresas típicas - aquelas entre os percentis 45 e 55. Em janeiro, essa diferença era de 2,6 vezes.
A OpenAI afirma que o gap aparece em vários setores e tamanhos de empresa, indicando que uso intenso de IA não se limita a companhias de tecnologia. Entre empresas públicas dos EUA analisadas no working paper, as adotantes de IA apresentavam indicadores financeiros mais fortes que as não adotantes: mais ativos, mais funcionários e maior investimento em P&D. A leitura conjunta dos relatórios é que apenas ter acesso aos modelos não basta; investimentos em treinamento, fluxos compartilhados, dados e governança ajudam a escalar o uso.
Empresas líderes usam mais Plugins e skills
A OpenAI destaca que agentes precisam de contexto e ferramentas para serem eficazes. Plugins agrupam capacidades para fluxos específicos e podem combinar “skills” - instruções reutilizáveis - com “apps” conectados a dados, ferramentas e ações corporativas. Um exemplo citado é um Plugin de vendas que une o playbook do time ao CRM, permitindo preparar respostas personalizadas com base em informações atuais de clientes e propostas anteriores.
Entre usuários ativos semanais, 21% das empresas frontier usam Plugins, contra 9% nas empresas típicas. No uso de skills, são 19% contra 3%. Dentro da própria OpenAI, 95% dos funcionários usam Plugins semanalmente, sugerindo espaço para adoção mais profunda.
Codex cresce fora da engenharia
Embora engenharia tenha sido o primeiro grande foco de adoção agêntica, o uso do Codex está se espalhando rapidamente por outras áreas de trabalho do conhecimento. Desde fevereiro, o número de usuários ativos semanais do Codex em empresas cresceu 108 vezes em jurídico, 41 vezes em vendas, 41 vezes em recrutamento e 26 vezes em marketing - contra 5 vezes em engenharia.
O texto traz um exemplo da Virgin Atlantic: equipes de engenharia usam Codex para refatorar código legado em 30 minutos, em vez de duas semanas, enquanto times de produto usam ChatGPT Work para reduzir semanas de pesquisa competitiva a horas, apoiando a estratégia digital de cinco anos da empresa.
Funcionários em início de carreira usam mais IA
Os dados administrativos de milhões de conversas apontam padrão diferente de algumas pesquisas de percepção: o uso é maior entre funcionários em início de carreira e menor entre níveis mais seniores. Seis meses após a adoção, profissionais em início de carreira enviavam 13 mensagens semanais a mais que executivos.
Para líderes, a OpenAI sugere identificar colaboradores com hábitos mais fortes de uso de IA e tornar esses fluxos visíveis, transformando práticas individuais eficazes em métodos compartilhados pela organização. A recomendação geral é conectar agentes ao contexto e às ferramentas da empresa, com permissões claras, governança e revisão humana.