
Financiamento não deve travar o compute de IA, diz estudo sobre Anthropic
Financiamento com dívida, não só caixa
O estudo da Epoch AI usa a expansão de infraestrutura da Anthropic como caso de teste para responder se o financiamento será o gargalo do crescimento de compute na fronteira da IA. A conclusão é que, ao menos no curto prazo, o crédito não deve ser o limite imediato: quase US$ 50 bilhões em dívida foram estruturados para o plano anunciado em novembro de 2025, quando a empresa tinha menos de US$ 9 bilhões de receita anualizada.
Como funciona o financiamento apoiado por fornecedores
A Anthropic não precisou levantar todo o capital de uma vez. A estrutura envolve investidores institucionais - como fundos geridos pela Apollo, Blackstone e bancos globais - emprestando contra compromissos de longo prazo, enquanto fornecedores com balanço mais sólido absorvem parte do risco.
No lado do compute, cerca de US$ 34,5 bilhões financiam mais de 1 GW de sistemas TPU do Google. Desse total, US$ 30 bilhões contam com apoio da Broadcom, que pode assumir o contrato ou ajudar a vender os equipamentos se a Anthropic deixar de pagar. Uma fatia de US$ 4,5 bilhões foi emitida sem esse suporte, custando mais caro: 8,5% ao ano, contra 5,75% da parcela protegida. A diferença sugere quanto o backstop da Broadcom vale para os credores.
Datacenters financiados por projeto
No lado físico, cinco empresas emitiram cerca de US$ 15,2 bilhões em empréstimos para construir 1,43 GW de capacidade de TI crítica. A estrutura segue lógica semelhante: empresas de projeto captam recursos, constroem os datacenters e os arrendam à Fluidstack, que aluga capacidade para a Anthropic. O Google oferece suporte condicional em parte dos contratos, protegendo investidores se a Fluidstack deixar de pagar aluguel.
No projeto Lake Mariner, desenvolvido pela TeraWulf, a dívida de US$ 3,2 bilhões paga juros de 7,75%, indicando que os credores ainda precificam riscos relevantes, como atrasos de construção e limites do apoio do Google.
O que muda para o setor
O caso sugere que laboratórios de fronteira podem transformar receita futura em capacidade de expansão presente, sem depender exclusivamente de caixa próprio ou novas rodadas de equity. A Anthropic elevou sua receita anualizada de cerca de US$ 9 bilhões no fim de 2025 para mais de US$ 47 bilhões até maio de 2026, enquanto a OpenAI já teria passado de US$ 25 bilhões em fevereiro de 2026.
Segundo o texto, Broadcom, Apollo e Blackstone descrevem o financiamento de US$ 35 bilhões em compute como a transação inicial de uma plataforma desenhada para apoiar mais de 20 GW de deployments para laboratórios de fronteira, incluindo Anthropic e OpenAI, até 2028. Se essas operações performarem conforme o esperado, o mercado pode ficar mais confortável com a classe de ativo, tornando projetos futuros maiores e mais baratos de financiar.