
IA trava nas empresas por organização, não por tecnologia
Claire Vo afirma que os dois principais motivos para a adoção de IA travar dentro das empresas são organizacionais, e não tecnológicos.
1. Falta de imaginação e habilidade para redesenhar trabalho
Segundo ela, adotar IA exige reimaginar fluxos de trabalho individuais, de equipe e da empresa, trocando tecnologias que as pessoas ainda não entendem ou não confiam plenamente. Não basta perguntar se a IA faz uma tarefa específica; é preciso reconstruir processos a partir dos primeiros princípios, quebrar hábitos e convencer outros a fazer o mesmo. Como a maioria das pessoas não é product manager de formação nem tem prática nesse redesenho, os projetos tendem a estagnar em usos superficiais, como escrever documentos, gerar código ou criar briefings diários.
2. Líderes evitam conduzir a mudança
O segundo problema é que líderes frequentemente reconhecem que a mudança é necessária, mas não querem arcar com o custo de gerenciá-la. Vo diz ouvir respostas como “sei que precisamos mudar, mas...”, seguidas de medos: funcionários pedirem demissão, vazamento de dados, tokens caros demais, código ruim sendo lançado, queda de qualidade, incapacidade dos vice-presidentes. No fundo, afirma ela, o problema é precisar dizer ao time que as coisas serão diferentes e aceitar que nem todos vão gostar.
O primeiro ponto é mais fácil de resolver com FDEs internos, hack weeks e investimento em ferramentas internas. Já o segundo depende de cerca de cinco pessoas no topo da empresa: se esse grupo não decidir avançar junto, a transformação não acontece. Para Vo, o bloqueio nunca está nas ferramentas ou na inteligência dos modelos, mas em sistemas humanos e problemas humanos.