
71% querem metade do tempo em trabalho individual, aponta estudo
Preferência por trabalho individual
Um estudo conduzido por Elena Verna em parceria paga com o Typeform, usando o produto Research Flow para entrevistas qualitativas moderadas por IA com mais de 300 profissionais, encontrou que 71% dos participantes querem dedicar pelo menos metade do tempo a trabalho de contribuidor individual (IC), mesmo quando remuneração, título e prestígio são idênticos entre papéis. A maior parcela, 27%, prefere ficar 100% em IC; apenas 35 de 320 respondentes escolheriam gestão integral, e só 4 ICs em todo o estudo optariam por 100% gestão. Entre gestores atuais, 24% preferem ser 100% IC e 57% querem ao menos metade do tempo como IC; apenas 25 de 128 gestores escolheriam somente gestão. Mais de 75% dos ex-gestores que voltaram a IC afirmam que não trocariam de função com ninguém na organização, ante cerca de 30% dos gestores atuais.
Benefícios e custos percebidos
O principal benefício percebido da gestão é coaching e mentoria (29%), seguido de maior influência sobre decisões e estratégia (26%) e remuneração mais alta (24%). Os principais custos apontados da gestão são excesso de reuniões (27%), menos tempo para trabalho prático (25%) e política organizacional (23%). ICs sem experiência de gestão superestimam esses custos: 32% citam política, quase o dobro dos 16% dos gestores atuais; 39% citam perda de trabalho prático, ante 19% dos gestores. Para ICs, o maior benefício é ter mais tempo para trabalho prático que apreciam. O maior custo de permanecer IC aparece primeiro como remuneração (32%), mas respostas relacionadas a influência somam 66% dos respondentes; entre gestores, 63% apontam alguma categoria ligada a influência.
Ex-gestores relatam ganho de qualidade de vida
Entrevistas com 22 pessoas que deixaram gestão para voltar a IC descrevem recuperação de energia, sono, tempo com família e satisfação com entregas diretas, incluindo um ex-diretor de produto que passou a atuar como IC de vibe coding após um layoff. A maioria desse grupo diz não invejar nenhum outro papel na empresa; cerca de um quarto indica inveja de alguma função, contra mais de 70% entre gestores e ICs interessados em gestão. Houve exceções: um participante relatou arrependimento por sentir falta das responsabilidades de gestão.
Player coaches e gestores presos por remuneração
Os player coaches, que acumulam gestão e IC, são 29% dos respondentes. Quem escolheu o modelo relata equilíbrio entre mentorar e executar; quem foi forçado por orçamento ou estrutura relata jornadas de 10 a 12 horas, ansiedade, exaustão e perda de qualidade de vida. Entre gestores que consideram voltar a IC, 42 de 51 afirmam que fariam a mudança se dinheiro e status fossem equivalentes, mas 80% ou mais se dizem retidos pela remuneração. Esse grupo é mais infeliz: 47% dizem que a função atual piora sua qualidade de vida, ante 20% na média geral. Gestores que querem permanecer citam coaching e mentoria como principal benefício e têm qualidade de vida próxima à dos ex-gestores agora IC.
Caminho proposto: High-impact ICs
A autora propõe criar carreiras de High-impact IC, definidos como profissionais capazes de entregar um projeto com valor de negócio de ponta a ponta sozinhos. Para isso, empresas precisariam compartilhar contexto e informações, e funcionários precisariam assumir responsabilidade por impacto e decisões. A remuneração maior viria como consequência do impacto entregue, não como condição prévia.