
Maioria dos profissionais de tecnologia prefere trabalho individual, mas gestão ainda domina
O que os profissionais preferem
Um estudo com 320 respondentes, apoiado por mais de 300 entrevistas moderadas por IA, indica que o trabalho de contribuição individual (IC) é mais desejado do que a gestão quando compensação, título e prestígio são equiparados. 27% escolheriam trabalhar exclusivamente como ICs, e 71% gostariam de dedicar pelo menos metade do tempo a tarefas individuais. Entre os 128 gestores ouvidos, 24% escolheriam ser 100% ICs e 57% passariam ao menos metade do tempo nesse tipo de atividade; apenas 25 optariam por fazer exclusivamente gestão.
A pesquisa foi conduzida com o produto Research Flow, da Typeform, em um painel de entrevistas moderadas por IA. A autora destaca que os resultados combinam respostas quantitativas e relatos sobre experiências profissionais. A amostra era formada principalmente por pessoas dos Estados Unidos e do Reino Unido, com predominância de profissionais entre 35 e 44 anos, e incluía funções variadas, sobretudo produto, operações e dados.
Benefícios e custos de cada caminho
O principal benefício associado à gestão foi desenvolver outras pessoas por meio de coaching e mentoria (29%), seguido por maior influência sobre decisões e estratégia (26%) e remuneração mais alta (24%). Os principais pontos negativos foram excesso de reuniões (27%), menos tempo para trabalho prático (25%) e política organizacional (23%). Profissionais sem experiência gerencial superestimaram, em comparação com gestores atuais, o peso da política e da perda de trabalho prático.
No trabalho de IC, o atrativo central foi ter mais tempo para executar atividades práticas de que as pessoas gostam. A principal desvantagem percebida foi a menor influência: embora 32% mencionassem remuneração, 66% selecionaram alguma categoria relacionada à redução da influência sobre estratégia, decisões ou direção da organização. Entre gestores, 63% apontaram algum fator ligado à influência.
Quem mudou de gestão para IC
Os 22 ex-gestores que retornaram a funções de IC relataram, em geral, maior satisfação, mais energia, concentração e tempo para a família. Muitos disseram não invejar nenhuma outra posição na empresa; apenas cerca de um quarto indicou invejar algum cargo, contra mais de 70% entre gestores e ICs que consideravam migrar para a gestão. A tendência não foi universal: um participante relatou arrependimento por sentir falta da gestão depois da mudança.
Os chamados “player coaches”, que acumulam gestão e contribuição individual, representavam 29% dos respondentes. Aqueles que escolheram esse arranjo frequentemente valorizavam a combinação entre mentoria e execução. Já os que foram levados a acumular as duas funções por restrições orçamentárias ou mudanças organizacionais relataram jornadas longas, ansiedade, exaustão e falta de tempo para trabalho concentrado. A pesquisa sugere que exercer as duas funções não escala proporcionalmente.
O papel do dinheiro e dos ICs de alto impacto
Entre 51 gestores que haviam considerado voltar a ser IC, 42 fariam a mudança se remuneração e status fossem iguais; nenhum escolheu gestão exclusiva. Esse grupo também relatou pior qualidade de vida: 47% disseram que o cargo atual a prejudicava, contra 20% no conjunto dos respondentes. O dinheiro aparece como principal razão para permanecer, enquanto burnout, perda de sentido e problemas com subordinados alimentam o desejo de sair.
A conclusão propõe a criação de funções de “IC de alto impacto” (HI-C), capazes de conduzir projetos com valor para o negócio de ponta a ponta. Para isso, as empresas deveriam ampliar o acesso a informações e contexto, enquanto os profissionais precisariam assumir responsabilidade e autonomia sobre resultados. A autora argumenta que a remuneração poderia acompanhar o impacto entregue, mas afirma que testar pagamentos de ICs superiores aos de gestores seria uma mudança decisiva na forma de organizar o trabalho.