
Groq levanta US$ 350 milhões após acordo com a Nvidia
Um novo patamar de valuation após o acordo com a Nvidia
A Groq levantou US$ 350 milhões em uma rodada Series A liderada pela Disruptive, com avaliação de US$ 3,5 bilhões, anunciada em 17 de agosto de 2026. A Nvidia planeja participar do aporte. O valor é inferior ao valuation de US$ 6,9 bilhões registrado em setembro de 2025, quando a empresa captou US$ 750 milhões antes do acordo de dezembro daquele ano, no qual a Nvidia licenciou sua tecnologia de inferência e contratou grande parte de sua equipe sênior. A Groq afirmou que o novo número avalia apenas a empresa remanescente após essas mudanças e que a comparação não deve ser tratada como um down round convencional. Em junho de 2026, a companhia já havia levantado outros US$ 650 milhões; somadas, as rodadas de junho e agosto totalizam US$ 1 bilhão em financiamento recente para o negócio reconstituído.
Relação multifacetada com a Nvidia
Pelo acordo de dezembro de 2025, a Nvidia obteve uma licença não exclusiva da tecnologia de inferência da Groq. O fundador e CEO Jonathan Ross, o presidente Sunny Madra e outros executivos seniores foram para a Nvidia, enquanto a Groq permaneceu como empresa independente, agora concentrada em serviço de nuvem. A companhia deixou de apostar principalmente na venda independente de chips e passou a vender acesso a trabalho de inferência por meio de data centers, combinando seus próprios LPUs com sistemas Nvidia. Assim, a Nvidia atua simultaneamente como licenciadora, fornecedora de equipamentos, possível investidora e beneficiária dos gastos de infraestrutura da Groq.
Analistas citados no texto interpretaram o arranjo como uma forma de neutralizar parte da ameaça competitiva e, ao mesmo tempo, direcionar demanda adicional à Nvidia. Daniel Newman, CEO da Futurum Group, afirmou que a empresa sobrevivente demonstra que a maneira mais rápida de escalar em infraestrutura de IA é construir sobre a Nvidia, não contra ela. Brad Gastwirth, chefe de pesquisa da Circular Technology, disse que o acordo neutralizou parte de uma ameaça competitiva ao direcionar demanda adicional para a Nvidia.
Metas de capacidade e incertezas financeiras
Em atualização de 17 de agosto de 2026, a Groq declarou operar 13 data centers e atender mais de seis milhões de desenvolvedores. A empresa prevê ampliar sua capacidade de 54 megawatts para mais de 200 megawatts em 2027. O texto ressalva que tanto a meta de 2027 quanto o ponto de partida de 54 megawatts são números autorreportados, sem medição independente. A companhia informou que pretende usar o novo capital para atender clusters maiores, alimentados por Nvidia, para treinamento e inferência. Seus dados financeiros completos não são divulgados por ser empresa privada; a cifra de US$ 500 milhões era uma meta de receita para 2025, não um resultado reportado. Números de data centers, desenvolvedores, tokens e capacidade também são autorreportados.
O teste de custo das neoclouds
Como comparação pública, o artigo cita a CoreWeave, empresa de capital aberto que expõe as exigências de capital do modelo de neocloud, embora suas finanças não sejam proxy direto para a Groq. No segundo trimestre de 2026, a receita da CoreWeave subiu 112% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 2,58 bilhões, enquanto o prejuízo líquido se ampliou para US$ 626 milhões. A empresa carregava US$ 35,6 bilhões em dívida em 30 de junho e projetava gastos de capital entre US$ 35 bilhões e US$ 39 bilhões em 2026. Seus três maiores clientes responderam por 72% da receita trimestral. Esses números mostram como receita e necessidades de financiamento podem crescer juntas em uma neocloud, mas o texto ressalva que eles não estabelecem que a Groq tenha os mesmos requisitos de capital ou a mesma composição de clientes.