
Nvidia articula US$ 500 bi tratando chips como ativo financeiro
Nvidia transforma chips em ativo financeiro
A Nvidia firmou memorandos de entendimento com Apollo Global Management, Blackstone, BlackRock, Brookfield Asset Management, Goldman Sachs e KKR para criar plataformas de financiamento voltadas a seus clientes. O objetivo é mobilizar mais de US$ 500 bilhões em capital de terceiros para hyperscalers, laboratórios de IA de fronteira e empresas construírem data centers e adquirirem hardware da Nvidia.
A iniciativa busca tratar a capacidade de computação como uma classe de ativo semelhante a imóveis comerciais, estradas com pedágio ou outros bens usados como garantia para crédito. Com isso, a Nvidia ajuda seus clientes a obter financiamento sem comprometer seus próprios balanços, usando crédito institucional, fundos de seguros e capital privado para lastrear GPUs e data centers.
Chips como “ativos investíveis”
Em entrevista à CNBC, o CEO Jensen Huang afirmou que esta é a primeira vez que chips de tecnologia se tornam uma classe de ativo investível. Segundo ele, os equipamentos da Nvidia hoje geram receita, são produtivos, duráveis, fungíveis e flexíveis, além de amplamente adotados e transferíveis entre clientes - o que permitiria a credores avaliar a computação como um ativo de longo prazo.
Historicamente, GPUs eram vistas como hardware de rápida depreciação. O movimento da Nvidia desafia essa percepção, transformando capacidade de IA em infraestrutura financiável de longo prazo, ainda que céticos possam questionar se os chips manterão valor com o lançamento de novas gerações. Huang comparou a computação a serviços essenciais, como eletricidade e internet.
Contexto e reação de Wall Street
O anúncio ocorre após um mês de julho marcado por cautela nos mercados globais, com investidores questionando se os grandes investimentos em IA trarão retorno. Agências de rating, como a Moody’s, alertaram que os gastos de capital sem precedentes estão pressionando o fluxo de caixa das big techs e aumentando o endividamento.
Executivos das gestoras e bancos envolvidos - entre eles Larry Fink (BlackRock), Jon Gray (Blackstone) e David Solomon (Goldman Sachs) - descreveram a computação como uma classe de ativo crítica para o crescimento econômico. Gray comparou o financiamento de IA ao crédito imobiliário, dizendo que a demanda por IA supera a oferta; em empresas do portfólio da Blackstone, o uso cresceu sete vezes neste ano. Fink chamou o projeto de “engenharia financeira” comparável à criação dos títulos lastreados em hipotecas nos anos 1970 e disse que a BlackRock já levantou alguns fundos e pretende captar “bastante mais”, defendendo a liderança dos EUA em IA.
Segundo Solomon, a ideia partiu do próprio Jensen Huang, que procurou os grandes nomes de Wall Street para estruturar o projeto.