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Pilha de placas gráficas equilibrada sobre livro-razão de fundo de pensão sugere o financiamento arriscado da Nvidia.
Hardware & Chips · Big Tech

Nvidia financia expansão com mecanismos arriscados

resumo de ~3 min

Paralelo com o pânico de 1873

Ben Thompson abre o artigo comparando a corrida atual de infraestrutura de IA ao financiamento das ferrovias americanas nos anos 1870, com foco em Jay Cooke, que vendeu bônus da Northern Pacific diretamente a investidores de varejo usando patriotismo, mídia e promessas de fortuna. Quando o crédito apertou, a estrutura ruiu, gerando o pânico de 1873, falências em cadeia e uma longa depressão.

Big Tech e dívida

O autor liga esse episódio ao livro 1873, de Liaquat Ahamed, citado por Satya Nadella em call de resultados da Microsoft. Segundo o texto, a Microsoft segue como o único hyperscaler com CapEx não financiado por dívida e geração relevante de caixa livre - US$ 19,6 bilhões no último trimestre. Enquanto isso, Oracle, Meta, Alphabet e Amazon emitiram US$ 80 bilhões em dívida entre setembro e novembro e, após US$ 108 bilhões em todo 2025, já captaram US$ 194 bilhões até julho de 2026. Spreads subiram: 86% dos bônus deste ano negociam acima do yield de emissão, e a cobertura de novas ofertas caiu de 5x em fevereiro para menos de 2x.

Google: equity, DeepMind e infraestrutura

Em junho, o Google anunciou captação de US$ 85 bilhões em equity, incluindo US$ 10 bilhões da Berkshire Hathaway, movimento interpretado como sinal de demanda extrema por computação e disposição de usar todos os instrumentos de financiamento. Paralelamente, a saída de Demis Hassabis do comando diário da DeepMind e de Jeff Dean levou a SemiAnalysis a declarar que o Gemini teria perdido a condição de fronteira, com GCP como principal beneficiado.

Os números do Google Cloud reforçam essa leitura: crescimento de 82% ano a ano e margem de 36%. A SemiAnalysis estima que mais de 20% das remessas totais de TPUs entre o 3º trimestre de 2026 e o 4º de 2027 serão vendidas diretamente à Anthropic, além das centenas de milhares de TPUs já alugadas a Anthropic e Meta. Para Thompson, mesmo que o Google perca a corrida de modelos, pode vencer em infraestrutura, pois TPUs teriam custo menor que GPUs da Nvidia e transformariam custo de computação em custo de capital.

O novo veículo da Nvidia

Jensen Huang anunciou parcerias com Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR para criar plataformas de financiamento destinadas a mobilizar mais de US$ 500 bilhões de capital de terceiros para infraestrutura de IA. A tese é transformar “AI factories” em classe de ativo investível: produtoras de receita, com mercado amplo, valor residual protegido e capacidade de realocação. A Nvidia apoiaria operações com até 25% de financiamento baseado em valor residual, o que equivale, na prática, a colocar o próprio lucro em risco para baratear o capital de quem constrói data centers com seus chips.

O risco

Thompson vê semelhanças com Cooke: mecanismos financeiros inovadores podem funcionar se a IA entregar receita rapidamente, mas ampliam o contágio se o ciclo falhar. A Nvidia ainda enfrenta pressão estrutural: Anthropic já não depende de CUDA há anos, OpenAI começa a seguir o mesmo caminho em inferência, e TPUs/Trainium surgem como alternativas mais baratas. O artigo conclui que, ao recorrer a capital de longo prazo de gestoras - seguros, pensões e fundos - a Nvidia entra em uma zona de risco mais alta e menos visível do que dívida corporativa tradicional.