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Seringa ao lado de escudo com dupla hélice de DNA sobre massa escura, vacina de mRNA contra melanoma em fase 3.
Ciência & Espaço

Vacina de mRNA contra melanoma passa em teste de fase 3

resumo de ~3 min

Resultado do teste

Moderna e Merck anunciaram que uma vacina de mRNA personalizada, desenvolvida para reconhecer mutações específicas do tumor de cada paciente, foi eficaz em um ensaio clínico de fase 3 com pessoas com melanoma. A combinação da vacina intismeran, também identificada como mRNA-4157, com o tratamento Keytruda prolongou a sobrevida livre de recorrência - o período sem retorno do câncer - e a sobrevida livre de metástase distante, que mede o tempo sem retorno do tumor em outra parte do corpo.

O estudo incluiu 1.137 pacientes com melanoma em estágio IIB a IV, cujo tumor havia sido removido cirurgicamente antes do tratamento. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente na proporção de 2 para 1 para receber a combinação da vacina personalizada com Keytruda ou apenas Keytruda. Ambos os grupos foram tratados por cerca de um ano. O ensaio foi controlado por placebo e duplo-cego: nem os pacientes nem os médicos sabiam qual tratamento havia sido atribuído a cada participante.

Segundo uma análise interina planejada, as extensões dos dois indicadores foram estatisticamente significativas e clinicamente relevantes, de acordo com as empresas. O anúncio, porém, não informou a magnitude dos benefícios nem apresentou os dados completos. Os resultados devem ser divulgados em uma próxima conferência médica internacional. As companhias também mencionaram dados de cinco anos de um estudo de fase 2, apresentados em junho, que apontaram redução de 49% no risco de recorrência ou morte e de 59% no risco de metástase distante ou morte.

Como funciona a abordagem

A intismeran usa um mRNA sintético contendo o código genético de até 34 mutações presentes nas células cancerosas do próprio paciente. Para criar o tratamento, as sequências genéticas das células tumorais são comparadas às de células saudáveis, permitindo selecionar mutações específicas do câncer. O mRNA então instrui células saudáveis a produzir fragmentos dessas mutações, que são apresentados ao sistema imunológico como antígenos para que ele reconheça e ataque as células tumorais. Moderna e Merck classificam o método como uma terapia de neoantígenos, baseada na mesma plataforma usada pela Moderna em sua vacina contra a covid-19.

Expectativas e ressalvas

Representantes das empresas descreveram o resultado como um marco para tratamentos personalizados e para a pesquisa com mRNA. O especialista em câncer Lennard Lee, da Universidade de Oxford, afirmou que este é o primeiro ensaio de fase 3 positivo de uma terapia individualizada de neoantígenos e de um tratamento oncológico baseado em mRNA.

Lee também ressaltou que ainda faltam dados essenciais: o tamanho exato do benefício, análises detalhadas por subgrupo, informações sobre qualidade de vida e resultados maduros de sobrevida global. Esses dados serão necessários para determinar quais pacientes se beneficiam mais e qual seria o papel do tratamento na assistência rotineira ao melanoma. Assim, o anúncio indica um resultado promissor, mas ainda não define por si só a posição da terapia na prática clínica.