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Cápsula de remédio bloqueia chave serrilhada de entrar em cadeado, metáfora do novo tratamento do câncer de pâncreas
Ciência & Espaço

FDA aprova Rasonque, remédio que muda o jogo contra câncer de pâncreas

resumo de ~3 min

Aprovação e resultados

A Food and Drug Administration (FDA) aprovou o Rasonque, da Revolution Medicines, para pacientes com câncer de pâncreas cujo tratamento anterior não funcionou. O medicamento é o primeiro aprovado da empresa e atua sobre uma mutação da família de proteínas RAS, presente em grande parte dos tumores pancreáticos. Em um estudo de fase avançada, os participantes tratados com Rasonque viveram mais de 13 meses, quase o dobro do observado entre pacientes que receberam apenas quimioterapia.

A aprovação é apresentada como um marco para uma doença com poucas alternativas. Cerca de 67 mil pessoas são diagnosticadas com câncer de pâncreas nos Estados Unidos a cada ano, segundo a American Cancer Society, e aproximadamente sete em oito pacientes morrem em até cinco anos; muitos morrem no primeiro ano. A oncologista Carla Kurkjian, que não participou dos estudos, disse que o tratamento pode estender a vida além do que os médicos haviam observado e mudar as conversas com os pacientes.

Como o tratamento funciona

Normalmente, a proteína RAS alterna entre estados ativo e inativo para controlar o crescimento celular. Uma mutação pode mantê-la permanentemente ativa, enviando sinais que estimulam o crescimento do câncer. Como a superfície da proteína é plana e não oferece uma cavidade fácil para a ligação de medicamentos, a RAS foi considerada por alguns cientistas “indruggable”, ou impossível de atingir com remédios convencionais.

O Rasonque usa uma estratégia inspirada em compostos naturais chamados “colas moleculares”. Primeiro, o medicamento se liga a uma proteína auxiliar dentro da célula; esse complexo consegue então se prender à RAS mutada em seu estado ativo e bloquear o sinal de crescimento. Segundo a explicação apresentada, as células normais são menos afetadas porque sua versão da proteína não permanece nessa forma ativa.

Décadas de pesquisa e limites

A busca começou após cientistas identificarem, no início dos anos 1980, genes mutados que impulsionam muitos tipos de câncer. Em 2012, Greg Verdine fundou a Warp Drive Bio para procurar colas moleculares na natureza; a empresa sequenciou 135 mil bactérias e encontrou seis candidatos, mas nenhum funcionou contra a RAS. Kevan Shokat identificou em 2013 uma cavidade na proteína que poderia ser explorada por um medicamento. A Revolution Medicines, cofundada por Shokat, comprou a Warp Drive Bio em 2018 e iniciou os primeiros testes do Rasonque em 2022.

O tratamento tem efeitos colaterais, incluindo uma erupção intensa pelo corpo e problemas gastrointestinais. Seu preço anunciado é de US$ 39.800 por mês, ou mais de US$ 477 mil por ano. A aprovação se restringe inicialmente a pacientes que já não responderam a outros tratamentos. A empresa e analistas esperam vendas anuais superiores a US$ 20 bilhões se o remédio demonstrar segurança e eficácia em fases mais precoces da doença e em outros tipos de câncer, condições que ainda precisam ser comprovadas.

Eli Lilly e Pfizer estão entre as companhias que correm para desenvolver terapias próprias contra tumores pancreáticos associados à RAS. Assim, embora o Rasonque represente um avanço importante e tenha permitido a alguns pacientes ganhar tempo após o fracasso da quimioterapia, seu alcance clínico mais amplo ainda depende de novos resultados.