
Robotáxis da Tesla em Austin rodam sem monitor humano
Operação sem monitor a bordo
Os robotáxis da Tesla em Austin parecem ter passado a operar sem um monitor de segurança dentro do veículo. O projeto independente Robotaxi Tracker registrou 170 viagens realizadas ao longo de duas semanas, em 54 carros diferentes, e informou que nenhuma teve uma pessoa a bordo capaz de assumir o volante. O dado não representa necessariamente toda a frota: o rastreador depende principalmente de usuários que registram viagens pelo aplicativo, além de outras informações públicas e colaborativas.
A mudança também foi ampliada por uma revisão na forma de medir a operação. O criador do projeto, Ethan McKanna, disse que algumas métricas estavam atrasadas e que a atualização das fontes revelou mais veículos não supervisionados do que o site indicava. Na semana anterior, o rastreador apontava apenas 28 carros ativos sem monitor em seis mercados do Texas e da Flórida; depois da revisão, quase o dobro foi identificado somente em Austin. Segundo a cobertura citada, o avanço em Austin parece ser real e foi corroborado por relatos de passageiros no Reddit e no X, mas a Tesla não divulga dados equivalentes sobre sua frota e geralmente não responde às perguntas da imprensa.
McKanna acrescentou que cerca de 30 Teslas autônomos também operaram em Dallas e Houston na semana anterior. O próprio histórico do rastreador havia sugerido, no início do verão, que a frota sem supervisão estava estagnada ou diminuindo. A relação de McKanna com a empresa, porém, exige ressalva: ele fez um estágio na equipe de Robotaxi da Tesla durante o verão. Isso não prova que seus dados estejam incorretos, mas é uma informação relevante para avaliar a independência da contagem.
O que “sem supervisão” significa
A ausência de um monitor no carro não elimina necessariamente a participação humana. Um operador remoto pode aconselhar ou autorizar uma manobra por meio de uma conexão de dados, e a Tesla não informa com que frequência isso ocorre nem quantos veículos cada operador acompanha. Portanto, ninguém fora da empresa sabe se houve intervenção remota no incidente mais recente registrado em Austin.
Em 18 de agosto, um passageiro filmou um carro avançando, recuando e avançando novamente antes de atravessar uma linha de balizadores plásticos que delimitava uma extensão de calçada. A gravação registra um impacto, e não havia operador de segurança ao volante. Usuários do Reddit localizaram o cruzamento no Google Maps; imagens do Street View indicam que os balizadores estavam no local desde pelo menos fevereiro de 2024. A análise citada pela fonte aponta que o episódio pode estar relacionado ao mapeamento, e não necessariamente à incapacidade dos sensores: a Tesla não usa os mapas proprietários de alta definição da Waymo e abandonou o lidar por razões de custo.
Escala, segurança e o Cybercab
Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, Ashok Elluswamy, vice-presidente de IA da Tesla, afirmou que a empresa já percorreu mais de 380 mil milhas com robotáxis e teve “zero incidentes notáveis”. A Tesla considera seu histórico de segurança impecável, mas não define o que torna um incidente “notável”. A Waymo, por sua vez, acumulou cerca de 220 milhões de milhas de transporte não supervisionado, uma escala muito maior. Relatos também indicam que a frota de Austin teria caído de aproximadamente 25 para 17 carros, embora a Tesla não publique números para confirmação.
A empresa prepara agora o Cybercab, táxi projetado sem volante nem pedais. Funcionários da Tesla começaram a testar os veículos, que podem ser incorporados à frota de Austin. O Texas favorece a expansão por não ter um regime de licenciamento comparável ao de Nevada. O quadro permanece contraditório: a operação ocorre sem monitor a bordo, a empresa não revela o tamanho da frota, declara não ter incidentes notáveis e, ao mesmo tempo, teve um carro atingir obstáculos fixos. O Cybercab deverá testar essa combinação em breve.