
Quatro modelos de IA ajudam a assumir controle de tablet Fire da Amazon
O problema do tablet
O autor comprou um Amazon Fire HD 10 (11ª geração, de 2021) por US$ 114,26 no eBay, em novembro de 2022, para manter um painel do Home Assistant aberto no Fully Kiosk Browser. A partir de novembro de 2025, o aparelho começou a desligar completamente, às vezes duas vezes por dia. A telemetria registrava Software_Shutdown, indicando que algum componente com permissão de desligamento escolhia interromper o sistema.
Durante cinco meses, o autor e Claude Code investigaram o comportamento, desativaram serviços da Amazon e identificaram três pacotes protegidos que mantinham permissões de reinicialização. Como esses pacotes não podiam ser desativados normalmente e não havia um método público de root para aquele modelo, a remoção exigia explorar o sistema. O autor afirma que as isenções do DMCA nos Estados Unidos permitem fazer root em tablets próprios para remover software indesejado, e ressalta que só seu dispositivo foi envolvido.
A exploração com quatro modelos
Em 13 de agosto, o autor passou o problema ao Kimi K3, da Moonshot AI, usando a ferramenta opencode. O modelo primeiro concluiu que não havia exploração conhecida para o tablet, mas depois extraiu o kernel da imagem de atualização da Amazon correspondente ao firmware e comparou vulnerabilidades conhecidas da GPU Mali. Encontrou a CVE-2022-38181, uma falha use-after-free no driver de kernel Mali, corrigida pela Arm em 2022 e incluída no catálogo de vulnerabilidades exploradas da CISA em 2023. A Amazon distribuiu a correção no Fire OS 7.3.2.9, em junho de 2024, mas o aparelho permanecia na versão 7.3.2.6.
Por cerca de 30 horas, Kimi K3 construiu uma ferramenta de exploração, mas a maioria das mais de 500 tentativas provocava pânico e reinicialização do kernel. A sessão custou US$ 164,25. O modelo reconheceu que não tinha um caminho validado, e o trabalho foi repassado ao GLM-5.2, que custou US$ 21,90. Ele identificou problemas no processo, mas concluiu incorretamente que a falta de coerência de cache entre CPU e GPU impedia o ataque. ChatGPT concordou inicialmente com esse diagnóstico.
O autor então assinou o plano de US$ 80 da Z.ai e usou o GLM-5.3, lançado naquele período. Em um dia, o modelo percebeu que os endereços estavam deslocados por uma diferença fixa: o kernel usado era uma compilação diferente daquela derivada da imagem OTA. Também identificou que o driver Mali da MediaTek organizava as tabelas de páginas de forma distinta da implementação de referência da Arm. Com as correções, a escrita da GPU na memória passou a funcionar.
Resultado e implicações
O GLM-5.3 conseguiu tornar o SELinux permissivo, obter um shell root e provar que o procedimento era repetível após uma reinicialização. Com acesso root, removeu, de modo reversível e sem alterar a partição protegida do sistema, os três pacotes que podiam desligar o aparelho, além do mecanismo de atualização, telemetria e outros componentes. Cerca de cem pacotes da Amazon foram removidos, e o painel não voltou a desligar o tablet.
O custo total informado foi de US$ 266,15, além de cinco meses de investigação. O autor diz que a contribuição humana foi conduzir o processo: decidir o que pedir, interromper modelos, fazer revisão cruzada e avaliar riscos. Para ele, o episódio mostra que capacidade de segurança pode ser alugada por hora a quem tenha cartão e persistência, enquanto o julgamento necessário para usá-la não é medido pelos mecanismos de proteção.
Ele também contrasta as recusas dos modelos de fronteira americanos, que bloquearam até discussões sobre o próprio dispositivo, com a disposição dos modelos chineses em ajudar após avaliar o contexto. A conclusão não é que o método funcione em qualquer Fire: os endereços dependem especificamente do Fire OS 7.3.2.6, e a Amazon corrigiu a vulnerabilidade na versão 7.3.2.9. O autor apresenta o caso como um exemplo da disputa sobre o controle de dispositivos comprados, dos limites das salvaguardas e do papel humano em trabalhos conduzidos por modelos.