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Ponte ligando ilha de engrenagens abertas a cidade de torres de GPU, metáfora do suporte CUDA da NVIDIA a CPUs RISC-V
Hardware & Chips · Open Source

NVIDIA abre CUDA para RISC-V na Hot Chips 2026

resumo de ~3 min

Extensão em avaliação

Na Hot Chips 2026, a NVIDIA discutiu a possibilidade de estender o suporte do CUDA a CPUs RISC-V. Atualmente, o framework de computação em GPU oferece suporte a processadores x86-64 e aarch64; a mudança permitiria que sistemas RISC-V alimentassem cargas de computação em GPUs, incluindo aplicações de aprendizado de máquina. A proposta, porém, não significa que qualquer computador RISC-V poderá ser conectado a uma GPU NVIDIA e executar CUDA.

Requisitos de uma plataforma de servidor

A NVIDIA exige uma CPU compatível com RVA23 e conformidade com as especificações de RISC-V para SoCs e plataformas de servidor. Esses padrões incluem recursos de confiabilidade, disponibilidade e facilidade de manutenção (RAS), um processador especializado de segurança e outras características básicas de uma plataforma de servidor.

A empresa também quer requisitos que vão além do perfil e das especificações atuais. O objetivo é evitar um mínimo denominador comum que impeça o software de usar extensões capazes de melhorar o desempenho. Extensões vetoriais foram citadas como exemplo: o suporte a predicação pode reduzir a necessidade de desvios e permitir código mais eficiente. Sem garantias de que esses recursos estarão disponíveis, a NVIDIA afirma que teria de distribuir implementações menos eficientes.

ACPI foi outro ponto importante. O padrão permite que o software descubra capacidades do hardware e gerencie energia, desempenho e temperatura. A equipe da NVIDIA encontrou dificuldades porque o hardware RISC-V não tinha ACPI quando começou a portabilidade do CUDA, mas o cenário avançou: em 2025, o UEFI Forum adicionou suporte a ACPI para RISC-V, e a especificação BRS, ratificada no ano anterior, inclui esse suporte.

Coerência e comunicação entre dispositivos

A NVIDIA exige ainda coerência de cache via PCIe. Sem ela, dados modificados pela CPU poderiam permanecer em seus caches enquanto uma transferência DMA os buscasse na memória principal, ou a CPU poderia ler dados antigos depois que a GPU escrevesse novos valores na memória. Seria necessário invalidar caches explicitamente, algo que a empresa considera difícil de incorporar à pilha do CUDA. A especificação de SoC de servidor do RISC-V recomenda coerência, mas a NVIDIA quer uma garantia.

Também é necessário suporte a comunicação PCIe ponto a ponto. Caso contrário, buffers transferidos entre dois dispositivos teriam de passar pela memória da CPU, com perda de desempenho e maior complexidade de sincronização. A apresentação não detalhou todos os requisitos; a NVIDIA disse apenas que busca um determinado nível de desempenho e que a lista completa ocupa cerca de duas páginas.

A NVIDIA também tratou brevemente do NVLink Fusion, que permite a outras empresas implementar seu IP de NVLink e conectar uma CPU personalizada à GPU por meio do NVLink C2C. Essa CPU poderia ser baseada em RISC-V. Além dos requisitos do CUDA, a integração exigiria suporte a estruturas como DOCA e NCCL e uma parceria próxima com a NVIDIA, devido à complexidade de incorporar o IP. O conceito é semelhante ao GB10, que conectou um chip de CPU da MediaTek a uma GPU NVIDIA.

O ecossistema de software do RISC-V ainda está atrás de x86-64 e aarch64, e a maioria do hardware existente não atende às exigências. A avaliação é que seria surpreendente encontrar, no futuro próximo, equipamentos RISC-V de consumo compatíveis; ACPI pode ser um obstáculo, e a adoção ampla de um padrão ratificado em 2025 talvez leve vários anos.

A NVIDIA afirmou estar trabalhando com a SiFive, que planeja demonstrar na Hot Chips um sistema com CUDA. As especificações apresentadas sugerem uma CPU de servidor com muitos núcleos. A expectativa é que os primeiros sistemas compatíveis sejam voltados a servidores, não a computadores de placa única. Ainda assim, a análise defende que a NVIDIA poderia flexibilizar os requisitos: desvios previsíveis, invalidações de cache e transferências por caminhos mais lentos podem ser aceitáveis em cargas com muito mais computação do que movimentação de dados. Os critérios atuais talvez reflitam uma portabilidade rápida e de baixo risco, mas uma evolução do CUDA mais acessível ampliaria as chances de uso em diferentes sistemas RISC-V.