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Envelope oficial prende cadeado numa portãozinho de arame, ordem judicial contra o leitor alternativo Nitter
Big Tech · Open Source

X envia cease-and-desist ao projeto open source Nitter

resumo de ~3 min

Nitter, projeto de código aberto que permitia ler publicações do X sem fazer login ou sequer abrir o aplicativo, recebeu cartas de cease-and-desist da X Corp. exigindo o desligamento permanente das instâncias do serviço e do repositório do projeto. A informação foi divulgada em mensagem breve no site do projeto e marca uma mudança de abordagem: anteriormente, o X tentava tirar o Nitter do ar por meios técnicos.

Histórico de bloqueios

O serviço funcionava buscando publicações públicas do X e removendo anúncios, cookies de rastreamento e JavaScript, oferecendo uma forma de leitura limpa, sem conta ou aplicativo. Ele também alimentava outros sites, como o XCancel, que permitiam visualizar publicações do X diretamente. Em 2024, após novas restrições à API anunciadas pelo X, a instância principal, Nitter.net, ficou fora do ar temporariamente. Depois dessa investida, quem quisesse hospedar uma instância precisava conectá-la a uma conta real do X, conforme a página do projeto no GitHub. Mesmo assim, o desenvolvimento foi retomado e as instâncias voltaram a funcionar.

Acusações e prazo

Conforme a carta, que o TechCrunch teve acesso, o X acusa o Nitter de uso ilegal e de circumvenção da API da empresa e dos dados associados, alegando ter evidências de que o projeto coletou dados do X e acessou contas e tokens de sessão em violação às regras da plataforma. Os advogados do X apontam violação de leis estaduais e federais, incluindo o Texas Harmful Access by Computer Act (§ 143.001 e § 33.02) e o Lanham Act (15 U.S.C. §§ 1114, 1125). O prazo dado para o desligamento encerrou-se às 17h (EST) de 25 de agosto.

O criador do projeto, desenvolvedor conhecido pelo pseudônimo Zedeus, disse por e-mail ao TechCrunch que outras instâncias receberam cartas semelhantes. Na mensagem do site, ele informa que nitter.net está fora do ar e o desenvolvimento parado por enquanto, que busca orientação jurídica e que não comentará os detalhes por ora. O texto também agradece a sete anos de uso, hospedagem, pacotização, doações e contribuições ao projeto.

Contexto mais amplo

O X não atua sozinho nesse tipo de fiscalização: o Meta já levou diversos scrapers aos tribunais, e as grandes redes sociais hoje restringem leitores de terceiros, obrigando o usuário a acessar o conteúdo pelo aplicativo oficial, onde pode ser rastreado e receber anúncios personalizados. Para quem acompanhava publicações sem conta, resta abrir mão desse acesso ou criar uma conta e fazer login - provavelmente o que o X espera.