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Braço robótico empilha cadeiras de escritório vazias ao lado de botão de parada, metáfora dos cortes planejados pela Meta
Agentes · Big Tech

Meta planejava cortar 60% dos times com agentes de IA antes de recuar

resumo de ~3 min

Um plano de transformação baseado em agentes

A Meta criou, em janeiro, o Project OT (abreviação de “organization transformation”) para estudar como tornar a empresa “AI native”. Segundo documentos, gravações e relatos revisados pela Reuters, o projeto avaliava cenários em que alguns times teriam seus quadros reduzidos em até 60%, com duas rodadas de demissões. Um executivo de recursos humanos teria estimado que esses cenários poderiam reduzir o quadro total da empresa em cerca de 25% ou mais.

A proposta previa que agentes de IA executassem boa parte do trabalho diário realizado por milhares de funcionários, enquanto pequenos grupos de pessoas supervisionariam os sistemas. Alguns empregados seriam transferidos para novas funções, outros seriam demitidos, e parte da economia obtida com os cortes seria usada para remunerar funcionários de alto desempenho, especialmente profissionais com habilidades de engenharia de IA. A Meta confirmou que conduziu o exercício de planejamento, mas afirmou que ele também envolvia redistribuição de pessoas e fechamento de vagas abertas e que nem todos os cenários seriam adotados.

O que “AI native” significava

Um documento interno definiu uma empresa “AI native” como aquela em que ferramentas e agentes prontos para IA interagem, fluxos de trabalho são automatizados e novos projetos priorizam IA. A definição também incluía vender agentes de IA a terceiros, atividade que a Meta começou a desenvolver publicamente em junho.

A empresa testou uma reorganização de equipes de engenharia, pesquisa e pelo menos outros oito grupos em unidades menores. Um manual interno defendia a eliminação de parte da gerência intermediária e o uso de análise auxiliada por agentes para ajudar a priorizar tarefas. A Reuters também relatou que funcionários de recursos humanos e sistemas de IA ajudariam líderes a decidir promoções, mas a Meta declarou que avaliações de desempenho e promoções eram - e continuam sendo - decisões humanas.

Recuo e sinais de dificuldade

Após as demissões de maio, Mark Zuckerberg teria cancelado a segunda rodada, prevista para novembro. A Reuters não conseguiu determinar exatamente o que motivou a mudança. Relatos sobre demissões iminentes e sobre o monitoramento de teclado e mouse dos funcionários para treinar agentes teriam prejudicado o moral; a Meta posteriormente pausou esse programa.

Também surgiram dúvidas sobre os ganhos reais de produtividade. Uma publicação do diretor de tecnologia Andrew Bosworth indicou que alterações no código de plataformas internas cresceram 220% em relação ao ano anterior, mas mudanças que chegaram aos usuários na forma de recursos novos ou atualizados aumentaram apenas 36%. Outras publicações internas apontaram que agentes realizaram ações “em grande escala e disruptivas”, pouco prováveis de serem executadas por humanos, e que incidentes técnicos e de segurança cresceram 40%, enquanto o tempo gasto para resolvê-los aumentou até 70%. A Meta não comentou esses dados.

Em julho, Zuckerberg reconheceu que o desenvolvimento de agentes não havia acelerado nos quatro meses anteriores como a empresa esperava. O caso sugere que até organizações altamente interessadas em automação podem ter dificuldade para substituir tarefas humanas e que projetos de IA excessivamente agressivos podem criar custos operacionais, riscos e problemas de execução além das economias esperadas.