
Geração Z enterra o minimalismo mudo das embalagens
Da uniformidade à personalidade
Durante anos, muitas marcas voltadas aos millennials adotaram embalagens minimalistas: fontes sem serifa, cores discretas, logotipos simples, bastante espaço vazio e imagens cuidadosamente produzidas para o Instagram. Essa fórmula fez produtos parecerem modernos, sofisticados e premium, mas acabou sendo copiada por tantas empresas que marcas de categorias diferentes passaram a ter aparência semelhante.
A publicação argumenta que a Geração Z está reagindo a essa uniformidade. Suas marcas podem ser coloridas, estranhas, nostálgicas, artesanais, femininas, caóticas ou até simples, desde que expressem um ponto de vista reconhecível. A mudança, portanto, não seria apenas uma nova tendência visual: a embalagem refletiria o tipo de consumidor que a marca deseja alcançar e a forma como ele entende o que é interessante.
Menos seriedade, mais expressão
Um dos movimentos citados é a transformação de produtos associados a bem-estar. Em vez de enfatizar visualmente que são a opção saudável ou responsável, as marcas podem tentar tornar o produto desejável por si só. A OLIPOP é apresentada como exemplo por usar cores mais vivas, ilustrações maiores dos sabores e tipografia minúscula mais brincalhona, aproximando visualmente o refrigerante saudável de seus concorrentes tradicionais.
Outra mudança é a recuperação de elementos que o minimalismo procurava eliminar. As latas da Fishwife, por exemplo, são coloridas, ilustradas e maximalistas, fazendo do peixe enlatado algo que pode ser exposto, fotografado, presenteado e comentado. Para a autora, o objetivo não foi reinventar o produto, mas torná-lo relevante para um novo público.
A imperfeição intencional também aparece como forma de diferenciação. Potes de vidro, tipografia robusta, cores fortes e desenhos feitos à mão fazem a Coconut Cult parecer mais humana e próxima de um mercado local do que de uma marca de bem-estar altamente polida. Quando uma categoria adota a mesma linguagem refinada, o aspecto artesanal ou ligeiramente estranho pode ajudar o produto a ser reconhecido.
Embalagem como objeto e experiência
A embalagem também disputa um lugar permanente na casa do consumidor, não apenas atenção na prateleira. A garrafa verde e flexível da Graza transforma o azeite em um objeto que pode permanecer sobre a bancada, prolongando a exposição da marca depois da compra.
Em categorias ligadas à insegurança, o design pode alterar a emoção associada ao produto. A Starface usa embalagens amarelas, tipografia arredondada, estojos colecionáveis e adesivos em formato de estrela para tornar o tratamento da acne algo visível e divertido, em vez de reforçar a ideia de que a condição deve ser escondida.
A Touchland é citada por converter o álcool em gel, antes vendido principalmente em frascos plásticos básicos, em um spray fino, colorido e semelhante a um acessório de beleza. O caso ilustra como uma embalagem pode mudar o papel de um produto funcional e transformá-lo em algo que o consumidor queira carregar.
A tese final
A autora ressalva que a Geração Z não matou o minimalismo; matou a mesmice. O minimalismo funcionou quando era distintivo, mas perdeu força quando se tornou padrão. A estética maximalista também pode se desgastar, e o pêndulo talvez volte a oscilar. Por isso, não haveria uma única estética da Geração Z a copiar: o movimento central é abandonar embalagens feitas para parecer perfeitas e criar embalagens com personalidade.