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Portão reluzente se abre diante de jardim murado alto, pivô da Meta de volta ao discurso de IA aberta
Big Tech

Meta volta ao discurso de IA 'aberta' em realinhamento interno

resumo de ~3 min

Meta tenta voltar à corrida da IA

A Meta voltou ao centro das discussões sobre IA com um buzz positivo: a empresa se aproximou, ao menos, da fronteira. O próximo modelo, chamado 'Watermelon', pode confirmar (ou não) esse avanço, mas, para o autor, o desafio maior é criar um produto de IA que as pessoas queiram usar - a aposta seria o 'Hatch', um consumidor de IA que ainda não existe em forma consagrada. O autor mantém ceticismo por causa do histórico recente da Meta: quando não consegue comprar, tem dificuldade de construir produtos que decolam. A compra do Manus parecia um caminho, mas a China interrompeu o negócio, e resta a dúvida se a Meta teve tempo de clonar a propriedade intelectual antes de devolvê-la.

Histórico: da contratação de LeCun ao vazamento do Llama

Um texto de Harry McCracken contextualiza a trajetória. Mark Zuckerberg teve visão cedo ao contratar Yann LeCun em 2013, mas isso veio depois de perder o leilão pelo DeepMind - de forma, segundo reportagens posteriores, embaraçosa. Dessa época veio o PyTorch, biblioteca open source que a Meta merece crédito por impulsionar.

A estratégia 'aberta' do Llama nasceu de forma acidental. Em fevereiro de 2023, a Meta planejava compartilhar o modelo apenas com pesquisadores acadêmicos, caso a caso. Uma semana depois, uma versão vazou no 4chan, na dark web. Houve medo de uso indevido - parte se confirmou, como um bot no Discord que espalhava discurso de ódio -, mas também entusiasmo com a democratização da IA. O vazamento ocorreu porque os pesos eram distribuídos a pesquisadores externos, não por uma estratégia deliberada para o público.

Retroativamente, virou estratégia: um memorando interno do Google, escrito por Luke Sernau e publicado pelo SemiAnalysis, dizia que 'o único vencedor claro é a Meta', que 'colheu o trabalho gratuito de um planeta inteiro'. Menos de cinco meses depois, a Meta lançou o Llama 2 como modelo open-weight (termo que puristas usam porque os dados de treino permanecem proprietários). O Llama 3 ampliou o sucesso, e Zuckerberg passou a defender modelos 'abertos' em todos os palcos.

Do fracasso do Llama 4 ao novo discurso aberto

O Llama 4 foi um fracasso, com manipulação de rankings como sintoma, não causa. A Meta foi ultrapassada por modelos treinados com técnicas de mixture-of-experts (MoE), uma das revelações do chamado 'DeepSeek Moment'. Outra foi que destilação de modelos funciona bem - talvez especialmente quando o modelo tem pesos abertos.

Então o 'aberto' foi fechado: o Llama foi descontinuado, a Scale foi 'hackquirida', e bilhões foram gastos em talento e compute. Os resultados iniciais parecem bons, mas com o 'Kimi K3 Moment', o movimento de 'AI Overkill', a mudança de postura da Anthropic e a reação contra a OpenAI, o 'aberto' voltou a ser visto como algo positivo. A Meta pivoutou de volta - não totalmente - para aproveitar o marketing e o enquadramento, tentando se reposicionar externamente e se realinhar internamente.

Moral interna em baixa

Em 2015, Zuckerberg dizia que seu sucesso vinha de uma cultura alinhada à sua missão. Esse alinhamento parece gone: segundo um funcionário atual do MSL, empregados veem o discurso de 'superinteligência pessoal' de Zuckerberg como sloganeering, não como um roteiro para produtos úteis. Um insider do Vale diz que os recrutados de IA, bem remunerados, são 'mercenários' ali enquanto os interesses de Zuckerberg durarem. O moral dos veteranos, que viram amigos e mentores partirem por decreto ou escolha, desabou.

O autor conclui que, se a Meta acertar com 'Watermelon' e 'Hatch', esses problemas podem desaparecer - o sucesso tem o hábito de mudar percepções rapidamente. Mas o desfecho desta corrida ainda está em aberto.