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Chip de GPU sobre estante de livros abertos, compra do hub open-source Hugging Face pela Nvidia
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Nvidia negocia comprar Hugging Face por US$ 12,9 bilhões

resumo de ~3 min

A compra

A Nvidia anunciou a aquisição da Hugging Face por US$ 12,9 bilhões, sujeita à aprovação de autoridades regulatórias. A empresa espera concluir a operação no primeiro semestre de 2027. Se confirmada, será a maior aquisição da história da Nvidia, excetuando a compra disfarçada de US$ 20 bilhões do fabricante de chips Groq, realizada no início do ano. O anúncio converte em ação a defesa repetida que o CEO Jensen Huang vinha fazendo dos modelos abertos no desenvolvimento da IA generativa.

A Hugging Face foi fundada por três empreendedores franceses em Nova York e chegou a ficar sediada em Paris. Tornou-se o principal hub de IA open-source: abriga três milhões de modelos e 500 mil conjuntos de dados, e é usada por 18 milhões de desenvolvedores.

Do chatbot à plataforma

Lançada em 2016, a empresa começou desenvolvendo um chatbot para adolescentes - um "Tamagotchi movido a inteligência artificial". O projeto durou pouco, e a startup migrou para uma biblioteca voltada inicialmente a machine learning, expandindo depois para grandes modelos de linguagem. O lançamento do ChatGPT e a ascensão da IA generativa impulsionaram seu crescimento.

Hoje, além do acesso a modelos de geração de texto e imagem, transcrição e reconhecimento visual, a plataforma oferece serviços pagos para testar, adaptar e implantar modelos. Afirma ter mais de 200 mil clientes corporativos. Segundo o The Information, a receita anualizada ultrapassou US$ 150 milhões em agosto, alta de 50% em apenas dois meses.

Por que a Nvidia quer a Hugging Face

A Nvidia não compra a empresa pelo potencial comercial: mesmo acelerando, a receita da Hugging Face seria uma gota d'água perto das vendas da própria Nvidia, que, segundo o texto, devem superar US$ 1 bilhão pela primeira vez no terceiro trimestre. O objetivo central, explica Justin Boitano, vice-presidente de Enterprise AI, é manter "um ecossistema saudável reunindo provedores de modelos proprietários e modelos abertos", do qual a Nvidia se beneficia por meio das cargas de trabalho de treinamento e inferência executadas em seus chips.

O CEO da Hugging Face, Clément Delangue, afirma que a empresa poderá "escalar e maximizar seu impacto na indústria" e fixou a meta de alcançar 100 milhões de desenvolvedores. Ao fomentar a IA open-source, a Nvidia espera acelerar a democratização da tecnologia, especialmente entre empresas: custos menores devem se traduzir em maior demanda por suas GPUs. A empresa também quer sustentar um ecossistema amplo de desenvolvedores de modelos fora dos grandes players, que dependem cada vez mais de chips projetados internamente.

Encaixe estratégico e risco regulatório

A aquisição segue uma estratégia já praticada pela Nvidia: usar parte de seus lucros para apoiar o maior número possível de atores do ecossistema de IA generativa. A empresa investiu dezenas de bilhões de dólares em OpenAI e Anthropic e figura entre os investidores mais ativos nos chamados neoclouds, empresas especializadas em poder computacional para IA. A meta é garantir que esses grandes clientes tenham capital para crescer - e sigam comprando GPUs Nvidia em escala.

A resposta dos reguladores, porém, é uma incógnita. A Nvidia já enfrenta investigações antitruste nos dois lados do Atlântico por sua posição dominante em chips para IA generativa. Em 2022, ela precisou abandonar a compra da Arm Holdings, que ocupa posição em parte comparável à da Hugging Face no universo das arquiteturas de processadores. A Nvidia promete manter o serviço "neutro e aberto" e argumenta que a operação ajudará a evitar que a IA se concentre nas mãos de poucos gigantes de tecnologia. Ainda assim, pode precisar assumir compromissos para limitar a integração de software e assegurar que concorrentes não sejam prejudicados.