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Mãos trocam rack de servidores em forma de chave entre Nvidia e startup, metáfora do acordo com a Poolside
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Nvidia investirá US$ 1 bilhão na Poolside e licenciará sua tecnologia

resumo de ~3 min

O acordo com a Poolside

A Nvidia fechou um acordo de US$ 6 bilhões com a startup Poolside para licenciar sua tecnologia e contratar a maior parte de seus engenheiros, segundo pessoas familiarizadas com o assunto e uma carta enviada pela empresa aos acionistas. Separadamente, a Nvidia investirá US$ 1 bilhão na Poolside, cuja avaliação pré-investimento é de US$ 12 bilhões.

Mais de 100 funcionários da startup, incluindo engenheiros, devem ingressar na Nvidia e trabalhar no projeto Nemotron, iniciativa lançada em 2023 para desenvolver modelos de pesos abertos. Eles ajudarão a aprimorar os maiores e mais sofisticados modelos Nemotron em desenvolvimento. Os fundadores Eiso Kant e Jason Warner, além da executiva de operações Margarida Garcia, não irão para a Nvidia e continuarão trabalhando em projetos de pesquisa ainda não especificados.

A Poolside afirmou que o acordo busca contribuir para um futuro em que a inteligência artificial geral - descrita na carta como uma forma de raciocínio computacional semelhante ao humano - não seja uma tecnologia fechada, controlada por poucos, mas algo construído de forma aberta por muitos. O negócio foi articulado em poucas semanas, próximo ao lançamento do modelo Laguna S, que se tornou um dos modelos de pesos abertos mais populares no Ocidente.

A aposta nos pesos abertos

A Nvidia, conhecida principalmente por fabricar GPUs usadas no treinamento de modelos, vem ampliando sua atuação em modelos de pesos abertos. Esses sistemas podem ser baixados gratuitamente e modificados para necessidades específicas, além de serem geralmente mais baratos de operar do que modelos proprietários. A companhia afirma que os Estados Unidos precisam de um ecossistema aberto capaz de se disseminar por diferentes setores, e não apenas de um único modelo de fronteira.

A estratégia também responde ao avanço de modelos abertos chineses, como DeepSeek, Kimi e a família GLM. O artigo afirma que esses modelos ficaram a poucos meses das capacidades dos sistemas americanos de fronteira, aumentando a preocupação de que empresas e países possam preferi-los. Em março, a Nvidia criou a Nemotron Coalition, com participantes como Mistral, Thinking Machines Lab e Perplexity, para compartilhar dados, conhecimento e recursos computacionais. A empresa também apoia a Reflection AI, que busca desenvolver modelos abertos sofisticados.

A Nvidia lançou recentemente o Nemotron 3.5 Lightning, uma versão leve do modelo, e trabalha em sua maior versão até agora. Há rumores de que ela tenha mais de 1 trilhão de parâmetros de treinamento, embora alguns modelos chineses de pesos abertos sejam ainda maiores. A empresa aposta que, com a tecnologia e os engenheiros da Poolside, poderá produzir em até um ano uma versão do Nemotron capaz de rivalizar com os melhores modelos de fronteira.

Limitações e conflitos

O acordo coloca a Nvidia em uma posição delicada: a empresa passa a competir com grandes clientes de seus chips, como OpenAI e Anthropic, que desenvolvem modelos fechados, e com outros criadores de modelos abertos que ela apoia. Além disso, vários grandes laboratórios estão criando chips próprios e já competem diretamente com a Nvidia.

A carta da Poolside também relata que uma tentativa frustrada de captar US$ 2 bilhões em 2025 fez a startup perder acesso a um conjunto de servidores para treinamento. Seus dirigentes concluíram que a empresa ficaria sem capacidade computacional no ano seguinte sem novo capital e acesso a data centers. Nesse contexto, descreveram a Nvidia como uma parceira adequada por ter menos limitações de infraestrutura e caixa.