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Aranha mecânica tece teia de cabos de fibra óptica sobre dossiês, espionagem cibernética chinesa turbinada por IA
China & Geopolítica

Empresas chinesas de hacking usam IA para turbinar espionagem cibernética

resumo de ~3 min

Hackers de aluguel viram agências de inteligência privadas

Materiais internos da Zhengzhou Zhirong Network Technology Co. (ZRON), empresa chinesa de segurança cibernética revisados pelo Wall Street Journal, mostram como algumas empresas de hacking por encomenda na China estão se transformando em agências de inteligência privadas de serviço completo. Elas não apenas roubam dados de governos estrangeiros, mas também oferecem sistemas alimentados por IA para organizar e analisar o material, tornando-o acessível às agências de segurança do país.

O acervo inclui uma apresentação comercial voltada a clientes em potencial, registros de chat internos e relatórios de inteligência aparentemente baseados em dados roubados. Segundo funcionários de inteligência ocidentais, a ZRON faz parte de uma rede interconectada de empresas chinesas de hacking por encomenda que roubam, analisam e vendem informações confidenciais às autoridades chinesas.

O que o material revela

O trove mostra uma espécie de menu de dados sensíveis apresentados como vindos de sistemas de e-mail de governos rivais e amigos da China: correspondência diplomática russa, preparativos para visitas de líderes estrangeiros às Filipinas e atas confidenciais do gabinete do primeiro-ministro do Paquistão. As Filipinas, em disputa territorial com a China no Mar do Sul da China, parecem ser um alvo prioritário - planilhas listavam 19 endereços de e-mail governamentais distintos. Há ainda material relacionado ao Vaticano, incluindo detalhes de delegados taiwaneses no funeral do Papa Francisco.

Os chats mostram que a ZRON vende acesso a sistemas de computadores estrangeiros e atua como intermediária de dados roubados de terceiros. Os clientes são referidos por codinomes, mas ocasionalmente revelam unidades policiais específicas - como um órgão de controle de fronteiras de uma cidade muçulmana no centro da China que pediu mais inteligência sobre viagens entre China e Oriente Médio.

IA como diferencial

Em vez de entregar dados brutos, a empresa desenvolveu um sistema de painéis que combina, classifica e analisa informações. A apresentação descreve ferramentas para monitorar telas, registrar teclas e executar comandos em computadores Windows, acesso a contatos e localização em dispositivos iOS, coleta de dados de servidores de webmail e visualização de redes de comunicação por e-mail.

Para integrar tudo, a apresentação menciona um sistema "inteligente" com IA capaz de rodar modelos da Alibaba e da DeepSeek, organizando conjuntos de dados desorganizados, gerando cronologias de incidentes e produzindo relatórios automatizados. Em um chat interno de 2025, um funcionário escreveu que a IA poderia cuidar de avaliações de risco e recomendações, gerando "um salto qualitativo na qualidade e quantidade dos relatórios".

Ressalvas e contexto

Não está claro se a ZRON tinha capacidade de entregar todo o conjunto de produtos anunciados, nem se usava IA para explorar vulnerabilidades em redes estrangeiras. O Journal não pôde verificar de forma independente a autenticidade dos documentos de governos estrangeiros, embora muitos se alinhem a eventos públicos. Vários governos - Paquistão, Rússia, Vaticano, além das chancelarias das Filipinas e de Taiwan - não confirmaram ou responderam; o Departamento de Estado dos EUA recusou-se a comentar. Beijing não respondeu a pedidos de comentário; no passado, negou envolvimento em espionagem cibernética.

A questão de fundo, segundo o Journal, é como Pequim pretende usar a montanha de dados coletada por seus hackers - violações nos EUA envolveram centenas de milhões de registros. Pesquisador independente Marc Hofer, que revisou parte dos dados, afirma que avanços em IA, armazenamento e processamento amplificam o que esses grupos conseguem entregar: "O martelo ficou maior, então eles podem manejá-lo muito mais".