
Huawei planeja novos chips de IA para disputar a Nvidia na China
O plano da Huawei para virar a Nvidia da China
A Huawei Technologies está acelerando o desenvolvimento de alternativas aos sistemas de computação de IA da Nvidia, como parte do esforço da China para reduzir a dependência de tecnologia dos Estados Unidos. A empresa anunciou que lançará dois novos chips de IA no ano que vem e informou que já enviou mais de 1.000 de seus sistemas de computação de IA - que agrupam centenas de chips para aumentar o poder computacional - para mais de 370 clientes.
Para o negócio de computação e comunicações, 'o objetivo da Huawei é se tornar a Nvidia', afirmou Guo Ping, presidente do conselho de supervisão da empresa, a novos funcionários, segundo transcrição oficial. O presidente rotativo Eric Xu reforçou a motivação: 'Não podemos ficar à mercê dos outros para sempre - um dia eles dizem que vão vender um chip, no outro dizem que não. Então, mesmo que a tecnologia seja um pouco menos avançada, pelo menos temos algo e não vivemos em constante incerteza.'
Desde o governo Biden, os EUA proíbem que empresas chinesas comprem os melhores chips de IA da Nvidia e bloqueiam que fabricantes chinesas, incluindo a Huawei, adquiram equipamentos de ponta. A Huawei ainda enfrenta restrições adicionais por estar na lista de entidades do governo americano desde 2019.
Segundo projeção da Morgan Stanley, o mercado de chips de IA da China deve crescer para 67 bilhões de dólares até 2030, com empresas domésticas ficando com 86% do mercado, ante menos da metade em 2025.
Designs alternativos
A Huawei desenvolve soluções alternativas para encaixar mais poder computacional usando equipamentos menos avançados. A fabricação tradicional depende de máquinas de ultraprecisão para condensar mais circuitos em um único chip; a Huawei tenta melhorar a eficiência com técnicas como o empilhamento de circuitos dentro de um mesmo chip.
A empresa anunciou dois novos chips para o ano que vem: o Ascend 960DT no primeiro trimestre e o 960PR no terceiro, ambos adiantados em relação aos prazos iniciais. Novos chips também estão planejados para 2028 e 2029. Segundo as especificações divulgadas pelas duas empresas, o poder computacional individual desses chips ainda fica atrás dos melhores chips da Nvidia disponíveis hoje. A Huawei trabalha com usuários domésticos, como a desenvolvedora de IA DeepSeek, para obter feedback.
Agrupamento de chips e transmissão de dados
Outra estratégia é agrupar centenas de milhares de chips de IA em clusters massivos que funcionam como um único computador, encadeando chips mais fracos para imitar modelos de ponta. Em um servidor tradicional, processadores e unidades de memória operam como países que falam idiomas distintos, e a movimentação de dados entre eles exige tradução, criando gargalos. A tecnologia da Huawei, chamada UnifiedBus, busca estabelecer uma linguagem universal para que diferentes chips, inclusive em racks separados, se comuniquem diretamente.
Como essa comunicação consome muita energia, a Huawei lançou a técnica de óptica near-packaged, que posiciona componentes de transmissão de dados próximos aos chips para aumentar a eficiência - abordagem semelhante à co-packaged optics usada por Nvidia e Broadcom em seus sistemas.
Limites e ressalvas
A própria Huawei reconhece que sua capacidade de fabricação de chips segue restrita e que as novas técnicas trazem desafios próprios: o agrupamento exige comunicações mais precisas e confiáveis e softwares altamente sofisticados - obstáculos que, segundo alerta de operadores de data centers, são difíceis de superar. Ainda assim, com apoio de Pequim e de outras empresas domésticas, a Huawei se apoia em sua expertise em equipamentos de telecomunicações para tentar acompanhar a concorrente americana.