
Construção de software ficará mais importante com IA, defende Thorsten Ball
A tese central
Thorsten Ball, engenheiro conhecido por seus livros sobre interpretadores e compiladores, publicou em setembro de 2026 uma lista de previsões sobre o futuro do desenvolvimento de software, originalmente divulgada no X. O fio de condutor é que a construção de software ficará mais importante do que nunca, enquanto o ofício de escrever código tende a desaparecer. Ball adverte que algumas dessas previsões já são observações consolidadas em empresas como a Amp, onde ele atua, enquanto outras levarão tempo para se confirmar.
Fim do code review, dos testes unitários e do código artesanal
Ball afirma que o code review já está morto: no futuro, humanos não encontrarão bugs linha a linha em código gerado por modelos, revisando apenas o sistema e sua composição, fora do formato de pull requests. Testes unitários também podem morrer - ele cita a experiência de ter feito modelos escreverem 900 linhas de Arduino C que compilaram sem nenhum erro e rodaram perfeitamente no dispositivo. Ele compara o ofício de escrever código aos sapateiros italianos: ainda existem, mas 'olhe para os seus pés'.
O que se torna importante
Para Ball, a nova habilidade essencial é resolver problemas de negócio com software: entender como outras soluções o fizeram, quando e como entregar, e como obter feedback. A maioria dos bugs deixará de ser de código e passará a ser de 'você pediu a coisa errada'. Contribuições humanas críticas de performance continuarão sendo caso extremo: em 99% do software, algoritmos mais rápidos não importam, e quando importam, os modelos podem corrigir. Ele adverte contra comparar o topo dos 1% de desenvolvedores com os 99% restantes.
Ferramentas, processos e 'bom código'
Ball prevê a morte do terminal: shells, editores de texto e ferramentas de linha de comando deixarão de ser usados por humanos, substituídos por tokens. Ele defende que tokens são o novo paradigma computacional, encerrando uma era de 80 anos de computadores determinísticos - o que chama de era pós-binária. A tríade PM/Design/Engenharia faria menos sentido, assim como Agile e SCRUM; engenheiros que apenas 'empurram tickets para agentes' perderão valor. A diferença entre engenharia em grandes e pequenas empresas aumentará, e startups que copiam práticas do Google parecerão ainda mais descoladas. Ele também sustenta que não há prova de que 'bom código' importará no futuro, já que o conceito se baseia na facilidade de trabalho humano - e humanos não modificarão a maior parte do código.
Custo, modelos e interfaces
Algumas pessoas ficarão fora do mercado de produção de software por preço, como aconteceu com computadores pessoais nos anos 80 e 90: sem tokens suficientes, você joga na segunda divisão. Ball questiona se modelos mais baratos serão realmente usados - modelos mais inteligentes cometem menos erros e exigem menos iterações. Ele prevê que interfaces de usuário serão geradas em tempo real, já que menus, telas de configuração e dashboards existem porque o software não entende o que se quer.
Cronograma
Ball conclui que levará uma geração para o 'software novo' substituir o 'antigo': assim como há desenvolvedores ASP empregados hoje, haverá gente escrevendo código em dez anos - mas elequestiona se você quer esse emprego.