stamatios
← Voltar ao feed
Balança compara ícones de pessoas e robôs sobre um globo, pesquisa global sobre expectativa de perda de empregos com IA
Trabalho & Gestão

Maioria em 34 dos 37 países espera que IA destrua mais empregos do que cria

resumo de ~3 min

Maioria espera menos empregos

Pesquisa do Pew Research Center com 42.151 pessoas em 36 países entre 8 de fevereiro e 13 de maio de 2026 - incluindo o Brasil -, mais duas rodadas com 5.119 e 3.488 adultos nos Estados Unidos, indica que, em 34 dos 37 países avaliados, a tendência é acreditar que a inteligência artificial levará a menos empregos, e não a mais. Em muitos lugares, cerca de um quinto dos adultos ou mais não sabe dizer como a IA afetará os empregos; a indecisão chega a quatro em cada dez ou mais em algumas nações de renda média.

A preocupação cresce junto com o PIB per capita: na Austrália, na Coreia do Sul e nos Estados Unidos, cerca de sete em cada dez adultos ou mais dizem que a IA resultará em perda de empregos nos próximos 20 anos. Nos EUA - único país onde a pergunta já havia sido feita -, a parcela com essa visão subiu 7 pontos percentuais em dois anos.

Quem mais enxerga risco

Em vários países, a preocupação com perda de empregos é maior entre jovens de 18 a 34 anos que entre pessoas de 50 ou mais - do Canadá, França, Singapura e Suécia a Índia, Indonésia e Malásia. Nos EUA, o avanço foi maior justamente entre os jovens adultos.

Em 11 países, em geral de alta renda, mulheres são mais propensas que homens a prever menos empregos; na França, a diferença chega a 10 pontos percentuais. Em muitos países de renda média, quem tem mais renda e escolaridade vê mais risco - em boa parte porque os demais tendem mais a responder que não sabem. Em cerca de metade dos países, quem diz ter lido ou ouvido muito sobre IA também aposta mais em perda de emprego.

Desigualdade no radar

No geral, as pessoas são mais propensas a dizer que a IA aumentará do que reduzirá a distância entre ricos e pobres; na Coreia do Sul, Austrália, EUA, Grécia e Canadá, cerca de quatro em dez adultos ou mais esperam esse aumento. Poucos veem redução: em nenhum país a parcela passa de um em cada quatro, e em 29 nações fica em um dígito.

A ideologia pesa em 8 dos 28 países em que foi medida: pessoas de esquerda são mais propensas que as de direita a prever mais desigualdade. Nos EUA, liberais são 31 pontos mais propensos que conservadores - uma das maiores diferenças ideológicas registradas. A idade também influencia, com padrões invertidos: nos EUA, os menores de 35 anos (56%) superam os de 50 ou mais (38%); na Argentina, Chile, Hungria, Itália e Peru, os mais velhos lideram.

Preocupação e entusiasmo misturados

No mundo, a mediana de 37% dos entrevistados está mais preocupada que entusiasmada com o maior uso de IA, e a de 41% está igualmente preocupada e entusiasmada - sentimento duplo mais comum em cerca de metade dos países. Israel é a única nação em que a excitação predominante supera a preocupação. A Coreia do Sul é um caso à parte: entre os que mais preveem perda de empregos e desigualdade, 61% se dizem igualmente preocupados e entusiasmados e 21% principalmente entusiasmados.

Quem sabe mais tende a ser mais otimista: na Alemanha, 15% dos que ouviram muito falar de IA estão mais entusiasmados que preocupados, contra 8% entre quem ouviu pouco ou nada. Em 15 países, pessoas de 50 ou mais são mais propensas à preocupação predominante, e menor escolaridade e renda também se associam a mais receio.

O medo está crescendo

O receio subiu no último ano na Suécia (+9 pontos percentuais), Polônia (+8), Países Baixos (+7), Hungria (+6) e Austrália (+4). Nos EUA, as visões ficaram estáveis no período, mas seguem bem acima das de 2021. Entre americanos de 18 a 34 anos, a parcela mais preocupada que entusiasmada saltou de 40% para 55% desde 2024; hoje, os menores de 35 estão tão propensos quanto os de 50 ou mais à preocupação predominante. Na Suécia, a diferença de preocupação entre as faixas etárias praticamente desapareceu. Jovens da Polônia, Brasil, Japão e Austrália também ficaram mais preocupados, embora os mais velhos ainda liderem nesses países; entre os 50+, o receio também cresceu na Polônia, Suécia, França, Hungria e Países Baixos.