stamatios
← Voltar ao feed
Gadget de IA com tela rachada ao lado de cadeado e celular com escudo, metáfora do fracasso dos primeiros dispositivos de IA
Produto & Design · Hardware & Chips

Tony Fadell explica por que os primeiros gadgets de IA fracassaram

resumo de ~3 min

Por que os primeiros gadgets de IA fracassaram

No MIT Future Fest, Tony Fadell apresentou um slide com três dispositivos de IA já descontinuados: o Rabbit R1, o Humane Ai Pin e o pingente Limitless. Ele os chamou de produtos de "Geração 1" e disse que essas empresas lhe pediram ajuda, mas que ele não aceitou. Fadell é conhecido como "pai do iPod", cocriador do iPhone e fundador da Nest, adquirida pelo Google.

Segundo ele, os dispositivos não atendiam a nenhuma necessidade real. Eram "tecnologia interessante para geeks", que não se aplicava à vida cotidiana. Os primeiros aparelhos prometiam a conveniência de um assistente pessoal, mas, mesmo quando funcionavam, não entregavam bem essa promessa.

O problema da confiança

Fadell argumenta que poucas pessoas já tiveram um assistente humano, menos de 0,01% da população mundial, segundo sua estimativa. Por isso, quando empresas defendem a ideia de assistente, estariam falando em nome de um grupo restrito. Ele afirma que foram necessários alguns anos para entender como usar um assistente e para confiar nele com dados sensíveis, como acesso a reuniões e ao banco. Para ele, o caminho até o consumidor geral, e mesmo até o mercado corporativo, envolve muitas etapas.

A confiança é o ponto central. Um assistente de IA só teria valor se pudesse ser considerado seguro. Na reportagem, a autora observa que isso pode ser ainda mais difícil do que com pessoas. O Muse, assistente de uso geral lançado recentemente pela Meta, foi citado como exemplo: um pesquisador de segurança encontrou uma vulnerabilidade grave logo após o lançamento, e um relato da 404 Media afirma que funcionários da empresa identificaram problemas de segurança que levaram equipes a correr para corrigi-los antes do lançamento.

Dispositivo local e a vantagem da Apple

Fadell prevê que um agente bem-sucedido precisará funcionar apenas no próprio dispositivo, por privacidade e para manter a tecnologia leve. Ele rejeitou a ideia de que data centers vão dominar tudo, lembrando que os aparelhos atuais já têm muita capacidade de processamento, apesar de funcionarem com bateria.

A Apple aparece como a empresa mais bem posicionada, em sua avaliação, por causa de hardware, chips e uma reputação de privacidade que levou usuários a confiar dados biométricos, como no Face ID. A reportagem ressalta uma contradição: a Apple não tem um modelo de IA próprio de ponta, e o novo Siri usa versões personalizadas do Gemini, do Google. Fadell disse que a Apple tem as peças de hardware, mas não todas as de IA.

Fadell também sugere que Meta e OpenAI estariam investindo em gadgets porque não possuem bilhões de aparelhos em circulação como a Apple. Sem acesso aos sensores do celular, precisariam de um dispositivo próprio, com câmera, microfone e localização, que se conectaria ao telefone e à nuvem para coletar esses dados.

Ressalvas

Ao ser questionado sobre a sorte para encontrar product-market fit, Fadell disse que startups têm dificuldade maior do que grandes empresas, porque um produto fracassado pode encerrar a companhia. A reportagem também observa que Fadell já criticou a Apple publicamente quando considerou que a empresa errava, apesar de reconhecer seus méritos.