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Erro comum em category creation: inventar label sem job-to-be-done
Marketing & Growth · Produto & Design

Erro comum em category creation: inventar label sem job-to-be-done

resumo de ~3 min

O erro central: nomear sem job-to-be-done

A maioria das empresas que tenta criar uma nova categoria comete o mesmo erro: gasta tempo em reuniões de diretoria escolhendo um nome, como se o rótulo determinasse o sucesso. O princípio fundamental é simples: toda categoria B2B corresponde a um Job-to-be-Done (JTBD) real. Se não existe um JTBD subjacente, ninguém vai comprar a plataforma inteira de uma vez - porque ninguém compra ferramenta para uma tarefa que não existe na sua lista de responsabilidades.

Gong e o ciclo de renomeação

Gong muda o nome da categoria na homepage todo ano - de "Revenue Intelligence" para "Reality Platform" e assim por diante. O autor argumenta que isso é prova de que o esforço não funciona. Salesforce usa "CRM" como ticker desde 2004. Nenhuma outra empresa adotou o termo "Reality Platform". Quando um prospecto liga pedindo "software de gravação de chamadas", nenhum vendedor da Gong responde dizendo que na verdade é uma "Reality Platform". O sucesso da empresa existe apesar da confusão de naming, não por causa dela.

O caso Clari: ambição demais, clareza de menos

Clari tem seis produtos reais e maduros (Pipeline Management, Sales Engagement, Forecasting, Conversation Intelligence, entre outros), cada um com seu próprio JTBD. Para vender tudo junto, criaram a categoria "Enterprise Revenue Orchestration". O problema: "orquestrar receita empresarial" é um JTBD tão amplo que abrange centenas de atividades que a plataforma não cobre - desde alinhar marketing e vendas até gerenciar parcerias de canal. Isso gera ambiguidade extrema e risco de under-delivery. O autor aposta que nenhuma outra empresa vai adotar esse rótulo.

Três caminhos possíveis

O artigo propõe três opções para empresas nessa situação. Opção 1: criar o JTBD antes da categoria - foi o que a Clay fez ao inventar o papel de "GTM Engineer", combinando tarefas antes dispersas em uma nova responsabilidade que empresas passaram a contratar. Opção 2: dissolver a plataforma em uma suíte de produtos, como faz a Stripe, que não força uma narrativa unificada entre pagamentos e incorporação de empresas. Opção 3: aceitar o produto mais conhecido como porta de entrada - no caso da Clari, usar forecasting como "cavalo de Troia" para entrar na conta e depois fazer upsell dos demais produtos.

A lição para startups de IA

O padrão se repete em startups de IA que juntam funcionalidades desconexas sob um rótulo grandioso. A pergunta que importa não é "como chamamos isso?", mas sim: "existe um JTBD real que essa combinação específica de capacidades resolve de ponta a ponta?". Se a resposta for não, o exercício de naming é teatro de marketing - e o mercado vai ignorar.