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Caça-níquel feita de placas de vídeo distribui chips sem parar, Nvidia projetando receita recorde com o boom de IA
Hardware & Chips · Big Tech

Nvidia projeta receita de US$ 700 bi e defende financiar o boom da IA

resumo de ~3 min

A estratégia financeira da Nvidia

A Nvidia pretende usar parte de seu balanço para sustentar a expansão da inteligência artificial, mesmo enquanto projeta receita de cerca de US$ 700 bilhões. A empresa afirma que o crescimento das vendas de chips é forte o bastante para financiar garantias, investimentos acionários e outras formas de apoio a clientes e laboratórios de IA.

A estratégia ganhou destaque durante as negociações com a OpenAI para um grande projeto de data center. A Nvidia discutia garantir até US$ 250 bilhões de um empreendimento estimado em mais de US$ 500 bilhões, mas a diretora financeira Colette Kress pressionou por um acordo menor, preocupada com a reação dos investidores. No fim, a empresa concordou em respaldar menos da metade do valor originalmente discutido. O recuo foi tático, não uma mudança de direção: a Nvidia continua defendendo o uso de recursos próprios para acelerar a construção de infraestrutura de IA.

Após divulgar resultados trimestrais e uma previsão de crescimento da receita acima do esperado por analistas, executivos da companhia detalharam iniciativas recentes. Entre elas estão um projeto de data center em terras federais de Ohio; uma iniciativa com seis grandes instituições financeiras de Wall Street para oferecer US$ 500 bilhões em financiamento à compra de chips; um mecanismo de “reforço seletivo de crédito” para permitir que um laboratório de IA adquira 2 gigawatts de capacidade computacional; e apoio de crédito a empresas de computação em nuvem que compartilham parte da receita com a Nvidia. Alguns desses acordos de compartilhamento de receita foram pausados. Kress também afirmou que a empresa investiu quase US$ 50 bilhões em laboratórios de IA de fronteira.

O “volante” de crescimento

Kress rejeitou a caracterização dessas operações como financiamento circular. Segundo ela, a OpenAI, a Anthropic e outros laboratórios estão crescendo mais rápido do que seus balanços e perfis de crédito conseguem sustentar. Embora estejam elevando a receita em ritmo sem precedentes, esses negócios dependem de volumes cada maiores de capacidade computacional e têm dificuldade para tomar empréstimos grandes a taxas competitivas. Nesse cenário, a Nvidia se apresenta como necessária para manter o ciclo: ajuda os clientes a obter computação, e esses clientes compram mais chips.

O projeto de Portsmouth, Ohio, é apresentado como a expressão mais completa desse modelo. Planejado para atingir 10 gigawatts, ele seria o maior data center do mundo. Para ajudar a SB Energy a levantar dívida, a Nvidia concordou em garantir até US$ 105 bilhões do valor concluído da primeira fase e, em troca, terá direito exclusivo de fornecer chips para metade inicial do projeto. A empresa também deve financiar parte das compras da OpenAI, estimadas em US$ 350 bilhões no empreendimento completo. A Nvidia e a OpenAI ainda discutiam os termos do financiamento, enquanto a companhia fez US$ 1,5 bilhão em investimentos na SB Energy e a OpenAI teria previsto US$ 30 bilhões em participação acionária.

Crédito, energia e riscos

John Belton, da Gabelli Funds, disse que as iniciativas reduzem custos de empréstimo para empresas menores e aceleram a expansão dos data centers, mas também são polarizadoras para as ações por causa das dúvidas sobre financiamento circular. Para ele, o apoio pode favorecer a receita e os lucros no curto e no médio prazo, embora o debate continue sem resolução imediata.

A eletricidade é outro gargalo. A Nvidia investiu US$ 2 bilhões na desenvolvedora de energia Lancium, adquirindo 20% e podendo aplicar mais US$ 1 bilhão, além de investir centenas de milhões de dólares na Cloverleaf Infrastructure e US$ 1,5 bilhão na SB Energy. A lógica é garantir que mais data centers sejam projetados especificamente para sua arquitetura, fortalecendo sua posição diante dos concorrentes. A empresa sustenta que futuras ofertas públicas da Anthropic e da OpenAI poderiam reduzir a necessidade de garantias de crédito, mas ainda restam obstáculos financeiros e energéticos à expansão da IA.