
Cancer Capital: como fundos gigantes distorcem o VC
A tese: o VC deixou de ser VC
Anil Dash, que afirma ter captado dezenas de milhões em capital de risco como CEO de startups e participado da captação de centenas de milhões como conselheiro, argumenta que o venture capital não é mais venture capital. Segundo ele, uma minoria de bilionários usaria o rótulo de "VC" para avançar uma agenda política sem prestação de contas - e ele chama esse fenômeno de "Cancer Capital".
A metáfora do câncer e a expansão dos fundos
Dash sustenta que o VC deveria ser apenas um pequeno segmento do mercado de capital, destinado à parte de alto risco e alta recompensa de um portfólio. Com a desregulação recente, porém, poucas firmas teriam se transformado em fundos "que fazem de tudo", combinando private equity com VC e administrando dezenas de bilhões de dólares. A metáfora central: como um câncer, uma célula saudável em pequena quantidade cresce sem limite e passa a prejudicar o hospedeiro.
Mecanismos de lucro sem prestação de contas
O texto detalha como essas firmas deixam de ser legalmente VC, o que as eximiria de riscos e responsabilidades: podem comprar ações diretamente de fundadores, manter quantidades ilimitadas de ações de companies listadas e até vender a participação em uma empresa para outro de seus próprios fundos, registrando a valorização como lucro - tudo sem que a empresa jamais tenha dado lucro. Outro esquema citado: uma empresa com caixa de uma rodada pode comprar a saída dos investidores iniciais. Dash também aponta que essas firmas captam recursos de fundos de pensão e contas de aposentadoria de varejo, o que colocaria o público a resgatar as partes de risco, sem escolha consciente. O declínio dos IPOs permite que elas lucrem antes de qualquer listagem pública, possivelmente prejudicando investidores comuns.
Consequências para fundadores e para a democracia
Com o poder dessas firmas, o equilíbrio entre fundadores e VCs teria se invertido: em vez de VCs financiarem empresas de fundadores, as firmas publicariam "manifestos políticos extremistas", e os fundadores seriam apenas quem executa partes desses planos. Novos fundadores e trabalhadores ainda tentariam seguir as regras antigas, sem entender por que suas ideias são empurradas para servir aos objetivos dessas firmas. Políticos e mídia, segundo Dash, continuariam avaliando o VC como há 10 ou 20 anos, como financiador de empregos.
Evidências políticas citadas
Dash cita John O'Farrell, ex-sócio da Andreessen Horowitz, que criticou publicamente a "infiltração política" da firma na política de IA. Segundo os números apresentados, Marc Andreessen e Ben Horowitz investiram US$ 115,3 milhões no ciclo eleitoral de meio de mandato - quase o dobro dos US$ 63 milhões de 2024 e mais do que qualquer outro doador bilionário, incluindo Elon Musk. Molly White, pelo projeto Tech Influence Watch, teria mostrado que a a16z responde por mais de 20% de todas as contribuições políticas do conjunto de empresas de cripto e IA que ela acompanha, direcionando recursos a candidatos dos dois partidos. Dash também cita que a a16z contratou como sócio um homem sem formação em tecnologia ou finanças, cuja qualificação, segundo ele, teria sido matar Jordan Neely, seu vizinho desarmado, por estrangulamento no metrô.
Conclusão
Dash conclui que o setor antes conhecido como venture capital se tornou uma máquina política e social voltada a desmantelar a democracia e a sociedade civil, e que é preciso compreender isso e "agir de acordo". Ele anuncia aprofundamentos futuros sobre como se chegou a esse ponto.