
Streaming sobe preços 3x mais rápido que a inflação
Os aumentos do streaming
Um artigo do The Hollywood Reporter, de James Hibberd, argumenta que os preços dos serviços de streaming estão subindo muito mais rápido que a inflação - desde 2022, mais de três vezes mais - e em ritmo que rivaliza com, ou supera, os piores reajustes da TV a cabo.
A reportagem lista dados concretos: o Apple TV, lançado em 2019 a US$ 4,99, mais que triplicou de preço (aumento de 200%), apesar de ter um dos catálogos mais enxutos entre os grandes serviços. O Disney+, lançado a US$ 6,99 sem anúncios, agora custa US$ 11,99 com anúncios - 172% acima do preço de estreia. O tier mais barato do Paramount+ subiu 80% em cinco anos, e o Netflix Premium subiu 125% desde 2013. Um pacote completo com os oito principais streamers, sem anúncios e sem compromissos de bundle, custa cerca de US$ 151 por mês; há quatro anos, o conjunto equivalente custava cerca de US$ 90.
Comparação com a TV a cabo
A exceção é o HBO Max, que subiu apenas 23% em seis anos - o serviço estreou em 2020 já a um preço mais alto, posicionado como produto premium há décadas. Nos últimos doze meses, os preços do streaming subiram coletivamente 11,8%; o maior salto anual foi em 2023, com média de 17,7%. Uma análise do Hollywood Reporter sobre dados do Bureau of Labor Statistics mostra que a TV a cabo e por satélite subiram, em média, 3,9% ao ano - fora um pico de 14% no fim dos anos 1980, provocado por desregulamentação federal, e não por decisão comercial dos serviços.
O texto também compara com a inflação geral: os preços ao consumidor subiram em média 3,84% ao ano desde 2019, o dobro da meta de 2% do Federal Reserve, somando 33% de aumento no custo de vida. Por isso, os reajustes anuais de 10% a 15% do streaming pesam ao se acumularem.
E a TV a cabo volta a valer a pena?
Não, segundo a matéria - a menos que o consumidor seja grande fã de esportes ou de canais como o Hallmark. Pacotes completos de Spectrum e DirecTV custam mais de US$ 170 por mês.
Quanto à saída, o autor lista alternativas com tom irônico: uma antena aberta de US$ 25, que ele descreve como caminho para o "desespero de entretenimento", observando que o passado da TV não era melhor - o público é que era mais jovem. A melhor estratégia citada é o "streaming cycling", supostamente popular entre a Geração Z: assinar um serviço por um ou dois meses, assistir ao que interessa, cancelar e migrar para outro. O contraponto é ficar atrás de várias séries e perder as conversas do dia a dia - o que o autor minimiza com ironia.