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Portão de fronteira se fecha sobre caminhão com barris de vinho e motos, retratando o banimento de importações canadenses pelos EUA
China & Geopolítica

EUA banem motos, laticínios e destilados canadenses em escalada comercial

resumo de ~3 min

Banimento e retaliação

O governo dos Estados Unidos anunciou que banirá a importação de motocicletas canadenses e de uma série de produtos lácteos e alcoólicos a partir de 29 de setembro de 2026. A medida foi assinada pelo presidente Donald Trump por meio de ordens executivas na terça-feira. As restrições incluem soro de leite e melaço, cerveja sem álcool e diversas bebidas alcoólicas, como cerveja de malte, vinhos, cidra, uísques, vodca e outros destilados. Motocicletas de maior cilindrada e ciclomotores também serão banidos. As restrições substituem em grande parte tarifas de 50%.

No mesmo dia, tarifas canadenses sobre 27,6 bilhões de dólares canadenses (US$ 20 bilhões) em importações americanas entraram em vigor. Elas são descritas como retaliação "dólar por dólar" e atingem mais de 700 produtos, incluindo móveis, eletrodomésticos, produtos de beleza, roupas, equipamentos agrícolas, aço, laticínios, papel e celulose e eletrônicos. A medida responde a tarifas de 50% dos EUA sobre tacos de hóquei, vinho e outros produtos canadenses, que entraram em vigor em 22 de agosto, horas após o fim das negociações comerciais entre os países.

Acusações mútuas e extensão

Os EUA também anunciaram que tarifas sobre outros produtos canadenses serão modificadas e prorrogadas a partir de 15 de setembro, com a inclusão de veículos todo-terreno e couros de animais e a remoção de sal-gema e cimento. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse que as medidas eram uma "consequência natural do tratamento discriminatório contínuo do Canadá" contra exportações americanas cruciais.

Trump acusou o Canadá de prejudicar exportações dos EUA por meio de políticas nos setores automotivo, de álcool e de laticínios, destacou o déficit comercial americano em bens e ameaçou impor tarifa de 50% a carros, caminhões e autopeças a partir de 1º de janeiro de 2027. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou em agosto que o "estreito déficit comercial de mercadorias" só existe porque os EUA compram grande parte de sua energia do Canadá, e observou que o Canadá é o maior consumidor de carros e aço americanos. Na terça-feira, Carney disse que as tarifas canadenses teriam um custo, mas eram necessárias para proteger empresas, trabalhadores e comunidades.

Efeitos e setor de álcool

As tarifas existentes atingem uma parte relativamente pequena dos US$ 715,5 bilhões em comércio de bens entre os dois países, mas economistas alertaram para um impacto imediato sobre pequenas e médias empresas e riscos ao crescimento caso a escalada continue. Justin Angotti, do escritório de advocacia Reed Smith, disse que empresas dos dois lados terão de esperar para ver se as tarifas se mantêm, se mais medidas serão adotadas ou se cada país decide desescalar. Enquanto isso, diz ele, essas empresas arcarão com custos relacionados a tarifas, conformidade e incerteza. Ottawa estuda laços comerciais e de segurança mais próximos com a União Europeia, informou a Bloomberg na terça-feira.

No setor de álcool, vendas de cerveja e destilados viraram ponto de atrito político. Lojas de várias províncias canadenses retiraram bebidas americanas das prateleiras, campanhas públicas pediram boicote e o premier de Saskatchewan, Scott Moe, anunciou em agosto tarifa de 50% sobre importações americanas. Sua equipe disse que a taxa era uma "medida recíproca". As exportações de destilados dos EUA para o Canadá caíram mais de 70% ano a ano, do início da proibição retaliatória em março de 2025 até dezembro de 2025, segundo o Distilled Spirits Council of the United States. Chris Swonger, presidente e CEO da associação, disse que os destiladores americanos "arcaram com o peso" da disputa, agradeceu o reconhecimento de Trump sobre o dano às destilarias e pediu solução negociada que restaure as bebidas americanas nas prateleiras canadenses e devolva o setor a um arcabouço permanente de tarifas zero a zero.